Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.
Breve nota do editor: Sobre as últimas pesquisas de popularidade do governo e pesquisas sobre as eleições de 2026.
Não deveria espantar ninguém que na pesquisa CNT/MDA divulgada no dia de hoje, Lula e o governo tenham caído tanto em aprovação a ponto de chegar no mesmo patamar de impopularidade de Temer. Afinal, o projeto econômico neoliberal do governo é o mesmo: O “Plano ponte para o futuro”.
O destaque para as pesquisas de hoje, contudo, ficam pela confirmação de uma tendência que outras pesquisas já demonstravam, o fortalecimento do nome de Ciro Gomes frente a crise e esvaziamento do governo e do próprio petismo.
Giro diário de notícias da política brasileira:
Em meio a demissão de ministra, governo anuncia vacina 100% nacional contra dengue:

Em um contexto de pequena crise envolvendo a troca da titular da pasta da saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Saúde, Nísia Trindade — que foi aplaudida com raro entusiasmo em sua última fala como ministra da saúde — anunciaram nesta terça-feira, em Brasília, a produção em larga escala da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue. A previsão é que, a partir de 2026, sejam ofertadas 60 milhões de doses anuais, com possibilidade de ampliação do quantitativo conforme demanda e capacidade produtiva.
Segundo o governo federal, a partir de uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa WuXi Biologics, a produção em larga escala da vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue se dará por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local do Ministério da Saúde, já aprovado e em fase final de desenvolvimento tecnológico. Sob a coordenação do ministério, por meio do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, o projeto contou, ainda, com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento da pesquisa clínica.
O investimento, segundo Nisia, é de R$ 1,26 bilhão. Também estão previstos R$ 68 milhões em estudos clínicos para ampliar a faixa etária a ser imunizada e incluir idosos, além de avaliar a coadministração da dose contra a dengue com a vacina contra o Chikungunya, também desenvolvida pelo Instituto Butantan.
Em discurso no evento, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou as iniciativas e investimentos do governo federal no setor industrial da saúde. As ações anunciadas estão alinhadas à estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB), que é a política de governo para atração de investimentos para o desenvolvimento da indústria nacional.
Segundo Alckmin, o setor da saúde foi o que mais tirou recurso para inovação. “O presidente Lula fez a depreciação acelerada para renovar parque industrial, trocar máquinas e equipamentos. O presidente Lula fez TR [taxa referencial] para pesquisa, desenvolvimento e inovação, é juro real zero; R$ 80 bilhões do BNDES, Finep, Embrapii e ainda recursos, às vezes, não reembolsáveis, dependendo do tipo de pesquisa”, destacou o vice-presidente.
Observação: Alguns minutos após o lançamento desse boletim, o governo optou por demitir a ministra Nísia Trindade, consumando sua substituição por Alexandre Padilha.
Governo federal inicia obras do Reator Multipropósito Brasileiro, voltado para tecnologia nuclear.

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) iniciou nesta segunda-feira (24) as obras de infraestrutura do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), na cidade de Iperó, interior de São Paulo. O espaço terá centros de pesquisa para aplicações da tecnologia nuclear e visa impulsionar o desenvolvimento do setor nuclear e garantir a autossuficiência do Brasil na produção de radioisótopos, usados na fabricação de fármacos para tratamento do câncer.
De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o RMB promete ser o maior centro de tecnologia nuclear do Brasil, com pesquisas de desenvolvimento de combustíveis nucleares e materiais utilizados em reatores, viabilizando a qualificação de combustíveis para propulsão nuclear, reatores das centrais nucleares brasileiras e novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares (SMR).
As aplicações do futuro reator de pesquisa nuclear abrangem diversas áreas, como da saúde, indústria, agricultura e do meio ambiente.
BRICS deve promover nova ordem mundial, defende chanceler brasileiro.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, abriu nesta terça-feira (25) a primeira reunião de 2025 das lideranças diplomáticas do BRICS, em Brasília, destacando que, em um mundo convulsionado por crises e tensões geopolíticas, o bloco de potências emergentes deve promover nova ordem mundial.
“Neste cenário em evolução, o BRICS tem um papel crucial a desempenhar na promoção de uma ordem mundial mais justa, inclusiva e sustentável. Um mundo multipolar não é apenas uma realidade emergente. É um objetivo compartilhado”, defendeu Vieira, durante a reunião no Palácio do Itamaraty. .
O chanceler brasileiro destacou também que a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial fracassou, observando que, em termos de segurança, há “um aumento alarmante das crises humanitárias, conflitos armados”.
Na esfera econômica, ele alertou contra o processo de “desglobalização”, afirmando que “políticas protecionistas, fragmentação comercial, barreiras não econômicas e a reconfiguração das cadeias de suprimentos ameaçam aprofundar as desigualdades globais”.
Ele citou como uma das prioridades, na presidência brasileira do bloco, é o fortalecimento do comércio entre seus membros para “aumentar os fluxos comerciais, explorando medidas de facilitação do comércio e estimulando instrumentos de pagamento em moedas locais”.
Mauro Vieira destacou que o foro incorpora as aspirações do Sul Global e defendeu as pautas históricas da organização:
-promoção de mecanismos financeiros alternativos;
-reforma das instituições multilaterais de governança global e
-expansão do uso de moedas locais.
A primeira reunião dos sherpas do BRICS, diplomatas que lideram as delegações de cada país nas negociações, segue até esta quarta-feira (26).
Mauro Vieira avaliou que os princípios do multilateralismo – que é a cooperação de vários países para atingir um objetivo comum – estão sendo testados pela nova conjuntura internacional e que instituições de longa data, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), lutam para se adaptar às mudanças recentes na política e economia global.
“As necessidades humanitárias estão crescendo, mas a resposta internacional continua fragmentada e, às vezes, insuficiente. Se quisermos enfrentar esses desafios, precisamos defender uma reforma abrangente da arquitetura de segurança global”, afirmou Mauro Vieira.
O chanceler lembrou que hoje o BRICS representa quase metade da população global, tem 39% do Produto Interno Bruto (soma dos bens e serviços produzidos, PIB) do planeta e é responsável por 50% da produção de energia no mundo.
“Este grupo do Sul Global e nosso papel na formação no futuro nunca foram tão significativos. A recente expansão do BRICS de cinco para 11 membros foi um grande desenvolvimento”, completou.
Inteligência artificial
A agenda do BRICS este ano, sob a presidência brasileira, tem promovido a necessidade de se construir uma governança global da inteligência artificial (IA), que evite que a ferramenta seja usada para ampliar as desigualdades no mundo.
“[A IA] não pode ser ditada por um punhado de atores enquanto o resto do mundo é forçado a se adaptar a regras que eles não tiveram papel na formação. Devemos defender uma abordagem multilateral, que garanta que o desenvolvimento da inteligência artificial seja ético, transparente e alinhado com o interesse coletivo da humanidade”, defendeu Mauro Vieira.
Presidência brasileira
O Brasil assumiu a presidência do BRICS neste ano em meio à expansão do bloco, que passou a ter a Indonésia como membro permanente, além de outros nove membros parceiros.
O governo brasileiro elencou seis prioridades para as discussões do grupo:
1-Desenvolvimento Institucional do BRICS.
2-Cooperação Global em Saúde
3-Comércio, Investimento e Finanças
4-Combate às Mudanças Climáticas
5-Governança de Inteligência Artificial
6-Reforma do Sistema Multilateral de Paz e Segurança
Deputada Erika Hilton protocola na Câmara a PEC pelo fim da escala 6 x 1.
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou oficialmente nesta terça-feira a proposta de emenda à Constituição que visa reduzir a jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais, em 4 dias por semana. O texto foi protocolado na Câmara três meses após o início de um movimento de articulação para reunir assinaturas de apoio à proposta. Erika conquistou apoio de 209 deputados — 38 acima do mínimo necessário para apresentar uma PEC na Casa.
O objetivo central do texto é acabar com a possibilidade de escalas de 6 dias de trabalho e 1 de descanso — chamada de 6×1. A PEC, que agora poderá ser discutida na Câmara, pretende alterar um trecho da Constituição que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Outra proposta com o mesmo objetivo já foi engavetada pela Câmara, antes de ser votada pelo plenário.
Em novembro passada, o Ministério do Trabalho afirmou, em nota à imprensa, que tem “acompanhado de perto o debate” e que a redução da jornada é “plenamente possível e saudável”, mas a questão deveria ser tratada em convenção e acordos coletivos entre empresas e empregados.
A proposta de Erika Hilton prevê estabelecer que a jornada de trabalho normal:
Não poderá ser superior a 8 horas diárias;
Não poderá ultrapassar 36 horas semanais;
Será de 4 dias por semana.
Segundo o texto, as mudanças entrariam em vigor depois de 360 dias da eventual promulgação da PEC.
Ministros do STF cobram reação formal do Itamaraty às ações de Musk e aliados de Trump contra Moraes.
Integrantes de diferentes alas do Supremo Tribunal Federal veem o assédio de Elon Musk e de parte da base de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes como um ataque institucional à Corte e passaram a cobrar uma reação diplomática formal que ressalte a relação histórica e a tradicional cooperação entre os dois países.
Esses ministros estão cientes de que o eventual envolvimento do Itamaraty embute, em si, uma armadilha, mas afirmam que não é possível apenas “assistir” ao que chamam de “diversas frentes de constrangimento institucional” sem reagir.
Um integrante da Primeira Turma, da qual Moraes faz parte, diz enxergar na empreitada para desgastar e constranger o ministro “parte de um plano maior de constrangimento do Supremo e do Judiciário”. “O pano de fundo é jogar para minar a força e a autoridade do Supremo. Neste momento, independentemente de concordar ou não com as posições jurídicas de Moraes, há algo que vem na frente: a instituição.”
Esse mesmo ministro cobra uma ação diplomática formal e, em conversa com outros integrantes da Corte, relembrou que os ataques de Musk em sua rede social não podem ser vistos como algo isolado. Há, por exemplo, um projeto em trâmite no Legislativo americano para impedir a entrada de Moraes nos Estados Unidos.
Musk, nomeado como colaborador por Trump, tem acesso a dados da Receita Federal americana e usou sua própria rede para disseminar informações de um perfil anônimo que citava, sem indicar qualquer ilicitude, supostas retiradas de investimentos de Moraes dos Estados Unidos.
Colegas dizem que o ministro, relator dos inquéritos que afligem Jair Bolsonaro e seus aliados, está “firme e sereno em sua posição”.
Ainda assim, a Corte enviou um recado de que vê a necessidade do envolvimento formal da diplomacia americana. Há uma série de processos movidos pelo governo dos Estados Unidos, inclusive pedidos de extradição, que tramitam no Judiciário brasileiro.
A política de reciprocidade, no entendimento dessa ala, precisa alcançar o respeito à autonomia do Judiciário nacional.
Essa ala do STF reconhece que um eventual envolvimento do Itamaraty seria usado para politizar a crise. “Mas o que vamos fazer? Temos que usar os instrumentos que a lei e as instituições nos dão. É assim que estão fazendo (a extrema-direita) na Europa. A resposta precisa ser diplomática, porque o ataque é diplomático”, encerra o ministro.
Fontes utilizadas:
1-https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/02/25/avaliacao-governo-lula-pesquisa-cnt-mda.htm
2-https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-lidera-em-todos-os-cenarios-no-1o-turno-em-2026-aponta-pesquisa-cnt/
3-https://www.todapalavra.info/single-post/governo-anuncia-vacina-100-nacional-e-em-dose-%C3%BAnica-contra-dengue
4-https://noticiabrasil.net.br/20250224/governo-federal-inicia-obras-do-reator-multiproposito-brasileiro-voltado-para-tecnologia-nuclear-38650670.html
5-https://www.todapalavra.info/single-post/brics-deve-promover-nova-ordem-mundial-defende-chanceler-brasileiro
6-https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/25/deputada-protocola-na-camara-a-pec-pelo-fim-da-escala-6-x-1.ghtml
7-https://acoisapublicabrasileira.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=2724&action=edit
