[NOTÍCIAS] Resumo jornalístico do dia 26/02/2025.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

Breve nota do editor: A pesquisa QUAEST de popularidade do governo publicada no dia de hoje confirma nosso editorial sobre a queda de apreço da população pelo governo e confirma a percepção de que isso está atrelado ao aumento de preços de alimentos.

Giro diário de notícias da política brasileira:

Lula: paz e meio ambiente serão prioridades do BRICS no Brasil.

(Foto: Marcelo Camargo/ABr)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quarta-feira (26), que as ações dos países do BRICS visam reduzir as assimetrias nas relações internacionais. Para Lula, as prioridades do Brasil na presidência do bloco servirão para avançar em agendas já amplamente discutidas, como a paz e a preservação do meio ambiente, e propor debates sobre novos desafios, como a inteligência artificial.

“Neste momento de crise, nossa responsabilidade histórica é buscar soluções construtivas e equilibradas”, disse.

“Os BRICS também continuarão a ser peça-chave para que os ideais da Agenda 2030, do Acordo de Paris e do Pacto para o Futuro possam ser cumpridos. A presidência brasileira vai reforçar a vocação do bloco como espaço de diversidade e diálogo em prol de um mundo multipolar e de relações menos assimétricas”, reforçou.

As declarações de Lula foram feitas em participação de sessão da Primeira Reunião de Sherpas da Presidência Brasileira do BRICS, bloco de 11 países liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Urgências

Para Lula, a cooperação em saúde é uma das maiores urgências do Sul Global. Ele destacou que será lançado um mecanismo de defesa da saúde mundial e lembrou que as experiências anteriores, como a pandemia de covid-19, devem resultar em ensinamentos para os países.

“A pobreza, a falta de acesso a serviços básicos e a exclusão social são o terreno fértil para doenças como tuberculose, malária e dengue e outras que, juntas, ameaçam cerca de 1 bilhão e 700 milhões de pessoas no mundo. Durante a nossa presidência, pretendemos lançar uma parceria para a eliminação de doenças socialmente determinadas e doenças tropicais negligenciadas”, afirmou Lula.

“A ausência de acordo em torno do tratado sobre pandemias, mesmo após o covid-19 e a pandemia mpox, atesta a falta de coesão da comunidade internacional diante de graves ameaças. Sabotar os trabalhos da Organização Mundial da Saúde [OMS] é um erro com sérias consequências”, ressaltou.

Além da saúde, Lula comentou brevemente sobre cada uma das prioridades do Brasil no BRICS, entre elas o uso de moedas locais em operações financeiras relacionadas ao comércio e investimentos dos países-membros do grupo. O objetivo é reduzir os custos de operações comerciais-financeiras das nações em desenvolvimento.

“A atual escalada protecionista na área de comércio e investimentos reforça a importância de medidas que busquem superar os entraves à nossa integração econômica. Aumentar as opções de pagamento significa reduzir vulnerabilidades e custos. A presidência brasileira está comprometida com o desenvolvimento de plataformas de pagamento complementares, voluntárias, acessíveis, transparentes e seguras”, garantiu.

O presidente ainda ressaltou que, ao mesmo tempo que a inteligência artificial oferece oportunidades extraordinárias também traz desafios éticos, sociais e econômicos. Nesse sentido o Brasil está propondo a Declaração de Líderes sobre Governança da Inteligência Artificial para o Desenvolvimento.

“Essa tecnologia não pode se tornar monopólio de poucos países e poucas empresas. Grandes corporações não têm o direito de silenciar e desestabilizar nações inteiras com desinformação. Mitigar os riscos e distribuir os benefícios da revolução digital é uma responsabilidade compartilhada”, disse Lula.

Para o presidente, o BRICS “precisa tomar para si” a tarefa de recolocar o Estado no centro dos debates para uma governança “justa e equitativa” dessa tecnologia, sob o amparo das Nações Unidas.

“Qualquer tentativa de desenvolvimento econômico hoje passa pela inteligência artificial. Não podemos permitir que a distribuição desigual dessa tecnologia deixe o Sul Global à margem”, afirmou.

Petro acusa Zelensky de ‘estupidez’ por ‘entregar a Ucrânia’ aos EUA.

O presidente colombiano Gustavo Petro acusou o líder ucraniano Vladimir Zelensky de agir “estupidamente” ao fechar um acordo com o governo Trump para dar a Washington acesso aos recursos naturais da Ucrânia.

Os comentários de Gustavo Petro ocorrem após vazamentos de informações para a imprensa sobre um suposto acordo já fechado entre Ucrânia e Estados Unidos, que serviria como uma espécie de garantia para o país norte-americano, que enviou dezenas de bilhões de dólares para Kiev em armas e ajuda financeira. No entanto, na opinião de Petro, esse acordo só deixa a Ucrânia em uma posição ruim.

Segundo o Financial Times (FT), o suposto acordo entre Washington e Kiev incluiria recursos como petróleo e gás e, com ele, os Estados Unidos esperariam obter uma compensação por toda a ajuda militar e financeira que deram a Kiev durante três anos de conflito na Ucrânia.

“Kiev está agora pronta para assinar o acordo sobre o desenvolvimento conjunto de seus recursos minerais, incluindo petróleo e gás, depois que os EUA retiraram suas reivindicações pelo direito a US$ 500 bilhões [cerca de R$ 2,8 trilhões] em receitas potenciais de exploração dos recursos”, disse a apuração.

Sem dar mais detalhes, na terça-feira (25) o presidente norte-americano Donald Trump disse que há um acordo com a Ucrânia sobre minerais de terras raras, cujo valor, segundo ele, seria de cerca de US$ 1 trilhão (mais de R$ 5,7 trilhões).

“É um negócio muito grande. Pode ser um negócio de um trilhão de dólares. Pode ser qualquer coisa, mas é sobre terras raras e outras coisas”, acrescentou Trump.

O republicano também disse que os Estados Unidos pararam de enviar armas para as forças ucranianas por enquanto.

“Não estamos fornecendo nada neste momento”, disse ele a repórteres na Casa Branca, depois que seu governo e a Rússia começaram a restabelecer relações diplomáticas bilaterais e, com isso, o início das negociações para acabar com a crise ucraniana.


Fontes consultadas:

1-https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/26/quaest-maioria-em-8-estados-considera-que-a-economia-piorou.ghtml

2-https://www.todapalavra.info/single-post/lula-paz-e-meio-ambiente-ser%C3%A3o-prioridades-do-brics-no-brasil

3-https://www.todapalavra.info/single-post/petro-acusa-zelensky-de-estupidez-por-entregar-a-ucr%C3%A2nia-aos-eua

[ARTIGO] Trabalhismo e revolução: O problema fundamental da memória para a tradição.

Por: Equipe da A Coisa Pública

A revista ACPB, diante de mais uma onda de ataques de alguns setores reacionários que tentam se esconder por detrás do trabalhismo, traz para seu público um artigo escrito em 2020, por Daniel Albuquerque, em debate público no portal Disparada defendendo a fundação da APR.

Naquela época, tal como hoje, alguns tentavam utilizar o pensamento de Alberto Pasqualini fora de seu contexto para aplicar um verdadeiro revisionismo histórico, excluindo do trabalhismo todos os marxistas que participaram dessa história e ajudaram muito a fundar o PDT, como Vânia Bambirra, Theotônio dos Santos, Moniz Bandeira e muitos outros.

Outra estratégia da reação também foi iludir com a negação do fato que o PDT é um partido que nasceu assumidamente socialista. Felizmente, porém, por ação da APR e de nossos aliados, o socialismo retornou para o artigo primeiro do estatuto no VI Congresso Nacional do PDT. Sem mais delongas, desejamos que todos façam uma boa leitura!

Trabalhismo e revolução: O problema fundamental da memória para a tradição.

Em seu célebre texto chamado “Teses sobre o conceito da história”, publicado em 1940, o renomado filósofo marxista Walter Benjamin, lança as bases para uma das mais belas elaborações teóricas do ramo da filosofia da história.

Nesta obra, Benjamin, alude para o fato da duplicidade da construção histórica, que é, também, estória. Construída por nossos atos no presente, mas enquanto organismo vivo, dependente da transmissão da memória, e sobretudo, de qual classe tem o monopólio de escrever a história. O autor propõe, então, o que pode ser entendido como a existência de uma dialética da lembrança e do esquecimento, operada pela classe que detém tal monopólio.

Para além disso, Benjamin, de sua forma característica, em sua sexta tese sobre a história, também observa como o mesmo processo, por vezes, ocorre dentro de tradições e ideologias:

Tese 6: Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo “como ele de fato foi”. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo. Cabe ao materialismo histórico fixar uma imagem do passado, como ela se apresenta, no momento do perigo, ao sujeito histórico, sem que ele tenha consciência disso. 

O perigo ameaça tanto a existência da tradição como os que a recebem. Para ambos, o perigo é o mesmo: entregar-se às classes dominantes, como seu instrumento. Em cada época, é preciso arrancar a tradição ao conformismo, que quer apoderar-se dela. Pois o Messias não vem apenas como salvador; ele vem também como o vencedor do Anticristo.

O dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer. E esse inimigo não tem cessado de vencer.

Walter Benjamin, “Teses sobre o conceito da história, 1940” — Tese número 6.

Sobre tal reflexão, é importante destacar que, o movimento trabalhista, e sua formulação teórica, não surgem, como os apologistas de visões idealistas da história poderiam afirmar, de personalidades ou pessoas, mas de demandas e agendas sociais bem delimitadas e reconhecidas, como bem afirma o historiador marxista Moniz Bandeira, fiel escudeiro de Brizola, em seu livro “Trabalhismo e Socialismo no Brasil”, no capítulo relativo a criação do antigo PTB.

Muitas correntes participaram da fundação do antigo PTB e na criação do que é a cultura política do trabalhismo no presente. Sindicalistas influenciados pelo marxismo e pelo anarquismo, socialistas utópicos, socialistas cristãos, nacionalistas, positivistas, e até mesmo alguns partidos regionais trabalhistas, todos participaram da fundação do antigo PTB como demonstra o historiador Wendel Pinheiro em seu livro de título “Um tempo bem melhor para se viver”. Pensar diferente disso, seria simplificar as coisas.

Nesse sentido, os critérios e marcos temporais utilizados por nossos detratores, por demais metafísicos, ignoram uma multiplicidade de fatores e causas, terminando por anular o nexo histórico, e delimitando o debate na figura de um teórico em especial e em um determinado período histórico.

Se estivéssemos tecendo este debate em 1945, provavelmente não haveria nada a declarar. Mas será mesmo que, em 2020, já não tenha ocorrido um aprofundamento deste debate? A tradição intelectual do Trabalhismo Brasileiro se encerra, então, em Pasqualini, e vivemos em um hiato de 75 anos, onde não existiram, por exemplo, Darcy Ribeiro, Alberto Guerreiro Ramos, ou Theotônio dos Santos?

Espanta que o retorno a um Pasqualini idealizado e imaginario, pareça se dar, exatamente para ignorar o que veio após este, em um outro contexto, onde as contradições em nossa sociedade afloravam. Porque o foco em Pasqualini, mas escolher não citar, por exemplo, o Brizola do pré-64?

Se apoderar da própria história, é ato de rebeldia, que não deveria ser deixado de lado sobretudo por nós, trabalhistas, os mais atingidos pela dialética da lembrança e do esquecimento operada pela classe dominante brasileira, visto que, em parte, a funesta ditadura militar, cumpriu papel lógico de frear o avanço do antigo PTB, mas sobretudo, atingir e macular sua história, lhe negar memórias, perseguindo seus principais militantes e teóricos, sobretudo, evidentemente, os mais radicais e afinados com a perspectiva da construção do socialismo no Brasil, bem como pensadores práticos da questão revolucionária. Ironicamente, estes são os mesmos apagados e desbotados nas memórias daqueles que este texto pretende responder.

Exatamente nesse sentido, e novamente respondendo sobre trabalhismo e revolução, trago para os leitores deste debate, o trecho abaixo, que figura a página 33, do livro “Trabalhismo e Socialismo no Brasil” de Moniz Bandeira, que explica sobre a posição de Brizola, no já referido período, após extensa reflexão sobre o caso cubano, e é aparentemente esquecido por aqueles que fazem força para não conceber a possibilidade de existência de um trabalhismo revolucionário:

A execução das reformas, reclamadas pelo desenvolvimento do Brasil, só seria possível com o estancamento do processo espoliativo, à base de profunda revisão nos termos de intercâmbio com os Estados Unidos. E isso acarretaria a sua reação. Brizola não se iludia. Estava já consciente de que a estrutura interna da sociedade brasileira e o processo espoliativo, dirigido pelos Estados Unidos, eram “partes inseparáveis do mesmo sistema“.

E dizia:

Reconheço e proclamo que nos encontramos numa ordem capitalista, recolhendo migalhas. Mas situo-me entre aqueles que desejam abominar corajosamente, decididamente, os males do capitalismo. E, ainda mais, situo-me entre os que julgam que, para enfrentarmos os problemas que nos afligem que infelicitam nossas grandes massas populacionais, não poderemos fugir a muitas soluções de cunho nitidamente socialista.”[146] Brizola advertia que ou as reformas se realizavam democraticamente, ou o povo brasileiro irromperia pelo caminho da insurreição, o que ele considerava um direito[147], não somente contra a tirania, mas também para libertar-se da fome, da miséria e do atraso.Moniz Bandeira, Trabalhismo e Socialismo no Brasil, Página 33.

Cabe dizer, não existe nenhum problema em defender os pontos de vista de Pasqualini, pelo contrário, mas, como apontado anteriormente em meu outro texto, “Caminho de ação Trabalhista”, é mais que importante a compreensão de que não podemos nos esquecer nunca que a tradição é algo vivo, e que tem uma história e um movimento de construção, por parte daqueles que erguem seu estandarte ao longo das eras, enquanto se relacionam com as demandas materiais da classe trabalhadora em cada período histórico.

Como sabemos, o Trabalhismo Brasileiro enquanto ideologia percorre todo um movimento histórico, refletindo, fazendo autocríticas, e constantemente se superando em termos de concepções, de forma que, o trabalhismo pensado por Pasqualini, foi extensamente submetido a críticas internas, e superado ideologicamente por seus sucessores intelectuais dentro do partido, que, em suas próprias concepções, como ocorre em toda escola de pensamento, ainda aludem aos pontos positivos do primeiro, sem o temor de criticar o que consideravam erros e equívocos, para com isso, avançar com a teoria.

O PDT é um partido que, a partir da carta de Lisboa e da Carta de Mendes, já nasceu socialista. Diferentemente do antigo PTB, em sua fundação, muitos foram os marxistas que participaram e auxiliaram ativamente em seu fortalecimento. Tivemos Luís Carlos Prestes como Presidente de Honra, sendo com isso legado ao PDT não apenas as memórias do antigo PTB, mas a maior parte das memórias da velha esquerda brasileira do século XX, que construiu o Brasil que amamos em oposição ao Brasil da elite e da classe dominante.

Apontar para momentos longínquos da história da tradição do trabalhismo brasileiro descontextualizando seu nexo histórico, a utilizando, porém, apenas como um compilado de argumentos prontos para posicionamentos, que no atual contexto, são, no mínimo dúbios e vacilantes, para além de um equívoco, é, também, uma espécie de revisionismo. Que, como todo revisionismo, mina a capacidade crítica de compreensão do real, e enfraquece as bases teóricas do movimento trabalhista.

Rio de Janeiro, Niterói, 24 de Dezembro de 2020.

Fonte consultada:

https://disparada.com.br/trabalhismo-e-revolucao-memoria/

[VÂNIA BAMBIRRA] Conceito marxista de mudança social em Mao Zedong.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

A revista ACPB, na intenção de auxiliar na formação política de militantes e simpatizantes da Ação Popular Revolucionária, traz para seu público um importante estudo sobre o pensamento de Mao Zedong escrito em 1962 pela gigantesca intelectual marxista brasileira, Vânia Bambirra.

Conceito marxista de mudança social em Mao Zedong:

“A dialética, em geral, é o ‘puro movimento do pensamento nos conceitos’ em particular, é o estudo da oposição do em si, da essência, do substrato, da substância com o fenômeno, ‘o-ser-por-um-outro’. No sentido próprio, a dialética é o estudo da contradição na essência mesma das coisas…”.

Não é contudo nosso objetivo neste trabalho fazer uma análise da dialética idealista hegeliana, mas sim uma exposição do pensamento de Mao Zedong em si tratando dos problemas das contradições como impulsoras da evolução e portanto do desenvolvimento, tendo como lei, a lei fundamental da dialética materialista devida a Marx e Engels. “… Quando nós estudamos essa lei, não podemos deixar de abordar numerosas questões filosóficas”. O objetivo desse estudo filosófico em Mao Zedong é superar todas as concepções dogmáticas que ainda vêm impregnando o pensamento atual. E o consegue de uma maneira definitiva, como veremos. Em seu término, chegamos à conclusão que a mudança social na teoria marxista se processa através do movimento provocado pelos agentes contrários em cada processo.

O autor de “A propos de la contradiction” divide em seis partes seu estudo, visando cada um deles abranger determinado aspecto do mesmo problema. Assim temos: 1°) as duas concepções de mundo; 2°) a universalidade da contradição; 3°) seu caráter específico; 4°) a contradição principal e o aspecto principal da contradição; 5°) a identidade e a luta dos contrários; 6°) o lugar do antagonismo na série das contradições.

Tentaremos agora, fazer a exposição de cada uma dessas partes.

1°) As duas concepções de mundo

Tentando explicar as leis do desenvolvimento dos fenômenos, surgem duas concepções do mundo, sendo uma a denominada metafísica e a outra dialética.

Desde a antiguidade já existia em China e Europa a concepção dialética do universo. O aspecto bastante primitivo dessa dialética antiga, sem a devida amplitude, explica-se por fatores históricos e sociais. Assim, não conseguia ela abranger o mundo em sua totalidade; é quando surge a concepção metafísica que a substitui.

Vejamos então como se fundamenta esse pensar metafísico, idealista:

O desenvolvimento se explicar por fatores externos a toda coisa e fenômeno, os quais provocam um movimento mecânico no interior dos mesmos, que vem alterar não apenas o volume e a quantidade. A mudança é reconhecida sob a forma de aumento e diminuição quantitativa ou ainda como um deslocar mecânico. Assim, nada altera o caráter específico das coisas e fenômenos pois ele é fixo. Nos séculos XVI a XVIII e em certas tendências posteriores, todo desenvolvimento social é explicado por fatores exteriores à própria sociedade, sejam eles o clima, o meio natural, etc.

A concepção metafísica abrange um longo período histórico quer no ocidente como no oriente. É adotada e defendida de um modo geral pelas forças reacionárias que se desejam manter no mundo.

A dialética materialista surge na Europa quando seus Estados começam a entrar na fase do capitalismo super-desenvolvido em que o desenvolvimento ilimitado, a luta de classes, a ascensão sempre crescentes das ciências, e diversos outros fatores, requerem essa concepção que se destina a superar a existente.

A dialética materialista parte do fato de que o desenvolvimento das coisas e fenômenos é devido às contradições existentes neles mesmos e desta maneira, o seu estudo tem de se proceder a partir dos seus fatores internos, do seu movimento autônomo, em inter-relação ou ligação com os outros fenômenos e coisas que lhe são próximos. São pois as contradições que impulsionam o movimento e o desenvolvimento de todas as coisas e as qualidades delas não são sempre as mesmas.

Quanto ao movimento mecânico provocado por agentes externos, só atua quando há o intermediário das contradições internas. Pode-se dar aqui, com Mao Zedong, o exemplo do crescimento vegetal e animal. Então, a partir de todos esses pressupostos fundamentados, para se analisar o processo de desenvolvimento das sociedades tem-se de proceder a partir de seus fatores internos, pois são eles que o condicionam.

É porque estuda com justeza cada processo de desenvolvimento com as peculiaridades que lhe são próprias, que se destina a analisar cada situação social concreta e específica, é que o materialismo dialético consegue determinar os métodos adequados à resolução dos problemas suscitados pelas contradições.

2°) A universalidade da contradição

Todo processo de desenvolvimento se caracteriza pelos contrários que opondo-se no interior dele criam seu dinamismo. Se em determinado momento as forças opostas deixassem de atuar sem que outras as substituíssem, o processo pereceria, pois “desde que a contradição cessa a vida cessa também”.

As contradições são um dado de toda coisa, de todo fenômeno. Desta forma, se consideramo-las como existentes do começo ao fim em cada processo. Não se pode conceber nenhuma existência sem esse aspecto fundamental: a contradito inerente. A universalidade da contradição é um fato tal como a própria vida. E isso nos leva a considerar com Lenin que “o geral não existe senão no particular, através do particular. Toda coisa particular é geral. Toda coisa geral é (uma parcela, um aspecto, uma essência) do particular”.

A universalidade dos contrários se realiza pois através de cada coisa e fenômeno específicos. Quanto à especificidade trataremos na parte precedente.

Se considerarmos o pensamento humano em toda sua amplitude, verificamos que a diversificação dos conceitos não é mais do que reflexos subjetivos de contradições objetivas, e são elas que estimulam a evolução da mente humana possibilitando soluções para diversos problemas do pensamento. Vemos então que as contradições fazem parte também do mundo da consciência. Observa Mao Zedong que se não houvesse as lutas de opinião no Partido Comunista ele não subsistiria. Com isso acentua o aspecto mumificante que adquire todo e qualquer dogmatismo.

Tem-se ainda de ater aqui, as diferenças de caráter entre os contrários. Se tomamos, por exemplo, a contradição entre o proletariado e a burguesia e a contradição entre os trabalhadores urbanos e os camponeses, verificaremos que há uma diferença marcante em cada tipo, e se tentássemos estabelecê-la em termos de graus, tomaríamos a primeira como de primeiro grau e a segunda como uma oposição secundária.

Finalizando essa parte, ressaltamos mais uma vez o aspecto absolutizante das contradições. Quando um processo antigo ameaça ruir é porque um novo composto de nova unidade de contrários já o está a superar.

A análise marxista do movimento das contradições baseia-se sobre o método de exposição dos fenômenos a partir dos mais simples, procedendo gradualmente até aos mais complexos. Diz-nos Mao Zedong que só através desse método que os comunistas chineses puderam analisar a situação revolucionária em que se achavam e definir as perspectivas.

3°) O caráter específico da contradição

As coisas se distinguem umas das outras pelos seus caracteres específicos que constituem o que se chama essência. Assim, cada processo possui suas peculiares formas de movimento, suas próprias contradições. Essa situação existe quer nos fenômenos da natureza como nos sociais e ideológicos e é por meio dela que se pode delimitar os diversos campos científicos e respectivamente seus objetos de estudo. Como se sabe, existem duas etapas do processo de conhecimento sendo que uma vai do específico ao geral e outra do geral ao específico.

Assim, para se ater à universalidade tem-se de preceder pela especificidade da coisa. Então, quando já se apreendeu a essência comum das coisas prossegue-se o estudo da coisa concreta. Percebemos aqui a dialeticidade abrangente do conhecimento. O universal está no particular mas não lhe retira a nuance própria. São dois caracteres que compõem a totalidade das coisas e fenômenos os quais não podemos inteiramente desligar um do outro, mas que são distintos. Nisso se funda essencialmente a teoria marxista do conhecimento.

As formas de movimento de cada processo são qualitativamente diferentes e por isso não se pode pretender resolver contradições qualitativamente diferentes por métodos que não sejam também qualitativamente diferentes. Dessa forma, se tomarmos como exemplo a contradição existente entre o proletariado e a burguesia, constataremos que ela só se poderá resolver através do método da revolução socialista e não pelo método da revolução democrata.

A essência de um fenômeno em processo desenvolvimentista só se atinge através da observância de seus traços específicos que permitem então apreender todo o conjunto. O exame unilateral e superficial não conduz a nenhuma compreensão do verdadeiro.

Em qualquer processo de desenvolvimento a contradição fundamental que condiciona a essência do processo não desaparece com a mudança do mesmo, mas a proporção que ele vai passando por diferentes etapas ela vai se revestindo gradualmente de formas sempre mais agudas.

O que chamamos de etapas do processo dá-se pelo fato de que em um processo existem várias contradições: as menores são sempre condicionadas pelas maiores ou estão sempre sob sua influência, umas se resolvem ou se atenuam provisoriamente, outras vão se tornando mais agudas enquanto mais outras estão sempre surgindo e assim por diante vão determinando as sucessivas alterações.

Quando se quer conhecer as particularidades de uma dada contradição não se pode limitar a apreciações empregnadas de subjetivismo, mas tem-se de proceder por meio de uma análise concreta da realidade objetiva. E assim sendo, encontra-se a universalidade dentro do particular, do condicionado, do temporário e relativo.

Essa é a tese sobre o absoluto e o relativo. Esse é o grande legado de compreensão do mundo que nos oferece a dialética.

4°) A contradição principal e o aspecto principal da contradição

Trataremos agora de uma parte de nosso estudo que julgamos de grande importância quando tentamos por meio dela compreender a situação atual da realidade brasileira e determinar suas tendências.

Já vimos que nos processos de desenvolvimento principalmente nos mais complexos existem uma série de contradições entre as quais se destaca uma e não mais, que é a principal. Em torno dela giram as outras das quais ela determina a evolução influindo sobre elas.

Na sociedade capitalista a contradição principal tende sempre a ser a existente entre o proletariado e a burguesia. Mas, quando se dá o caso de uma agressão externa as forças opostas internas podem se unir e a contradição principal passa temporariamente a existir entre o país agressor e o considerado. A “agressão” de um país sobre outro pode se exercer em termos pacíficos, quando se trata principalmente de uma agressão econômica feita pelo estrangeiro através de algumas forças nacionais que a ele se alia.

Nesse caso, a solução é a tomada do poder pelas massas populares o que se consegue através de uma revolução interna. Quando isso se dá o imperialismo começa a sentir a ameaça sobre suas bases, então, aliado a reação interna procura manter sua dominação recorrendo a meios como o de introduzir a divisão no setor revolucionário, ou intervir abertamente com forças armadas. É precisamente aí que se acentua fortemente a contradição principal – exploradores e explorados – que toma a direção do processo.

Marx, no estudo da sociedade capitalista diz que quando se estuda um processo tem-se de determinar a contradição principal para se resolver todos os seus problemas. Uma vez determinada a contradição principal tem-se de distinguir nela seus dois aspectos sendo que um ocupa maior relevo. Desenvolvem-se desigualmente. O equilíbrio entre ambos, quando o há, é temporário e relativo pois fundamentalmente são desiguais.

O aspecto principal da contradição ocupa a posição dominante e por isso o caráter dos fenômenos é determinado por ele. Mas nunca essa posição dominante é fixa, ao contrário ela está sempre em mudança e devido a isso os dois aspectos se alteram e se modifica, por conseguinte, o caráter dos fenômenos. É o novo que inexoravelmente ultrapassa o antigo.

Assim, na antiga sociedade feudal o capitalismo surgiu com uma posição secundária até que a ordem social fosse invertida e ultrapassada passando o capitalismo à posição dominante. Desta forma, também já iniciou a proceder em nosso século o proletariado. Na medida que vai crescendo a sua autoconsciência ele vai ascendendo como uma força incontrolável a superar o arcaico sistema capitalista e dá-se a modificação sensível do caráter da comunidade.

Em uma luta revolucionária, em que as dificuldades predominam sobre as condições favoráveis, as primeiras constituem o aspecto principal da contradição. A medida em que a revolução vai se cobrindo de êxito as situações favoráveis – do ponto de vista revolucionário – tendem a prevalecer.

Alguns afirmam que nas sociedades existem certos tipos de contradições às quais essa tese não se estende, sendo elas: nas contradições entre as forças produtivas e as relações de produção, o aspecto principal é sempre constituído pelas forças produtivas; na contradição entre a teoria e a prática é sempre a constituída pela prática; e enfim, entre a base econômica e a superestrutura, é inevitavelmente a base econômica. Mao Zedong identifica esta concepção a materialista mecanicista: “… em geral sim, o são, têm o papel principal”. E nos mostra em quais situações esses aspectos se alteram. Temos então de reconhecer com ele que, de acordo com determinadas condições, as relações de produção, a teoria e a superestrutura vêm a ter o papel decisivo:

– quando a sociedade atinge um ponto no qual, sem modificação das relações de produção, as forças produtivas se estacionam, a modificação das relações de produção adquire o papel principal e decisivo.

– quando, de acordo com Lenin, “sem teoria revolucionária não existe movimento revolucionário.

Nunca será demais insistir nessa ideia, numa época em que a propaganda em moda do oportunismo anda de par com a paixão pelas formas mais estreitas da atividade prática”. Lenin o diz visando esclarecer o sentido dessa frase de Marx “cada passo de movimento efetivo é mais importante que uma dúzia de programas”, que foi interpretada por Rabótcheie Diele em caráter inexato. E acrescenta Lenin o seguinte, ainda de Marx, contida na mesma carta: …”não barganhais com os princípios, não façais concessões teóricas”. A finalidade dessas citações é mostrar a importância da teoria em Marx e Lenin e o papel fundamentador que ela adquire em todo movimento revolucionário.

– e, quando superestrutura, respectivamente cultural, política, etc., freia o pleno desenvolvimento da base econômica, as transformações superestruturais fazem-se necessárias e decisivas.

Essas teses não podem contradizer o materialismo dialético, porque embora nele se reconheça que o material determina sempre o espiritual e o existir social à consciência, reconhece-se ao mesmo tempo que a consciência pode agir sobre o existir social e o espiritual sobre o material.

O método adequado de resolução das contradições há de ser o que explica as diferenças de seus desenvolvimentos pelas diferenças de suas qualidades. É na diversidade que se localiza a força do povo. Qualquer teoria do equilíbrio é pois falsa.

5°) A identidade e a luta dos contrários

Toda contradição nos processos de desenvolvimento compõe-se de dois aspectos e cada um desses aspectos pressupõe a existência do outro, porque ambos formam uma unidade. Em condições específicas um se transforma no outro ocupando-lhe o lugar (este seria o conceito marxista de mudança estrutural). Donde, em todo o processo os opostos se excluem, sua luta é contínua, quer se trate de desenvolvimento de fenômenos materiais, como os do pensamento.

Quando a luta se dá entre apenas um par de contrários temos o que se chama processo simples.

Agora pergunta-se: porque se fala então de unidade e identidade de contrários?

Justamente porque um não pode existir sem o outro. A antítese do ser é o não-ser. Tudo que é alguma coisa deixa de ser outras coisas. Se houvesse o ser sem o não-ser nada seria pois nada se caracterizaria. Assim, de acordo com determinadas circunstâncias, os contrário, por um lado, opõem-se, e por outro, estão ligados em interpenetração e um depende do outro.

Entretanto, a existência da identidade implicará em uma unidade? A unidade está em que, em circunstâncias especiais, um contrário, como já dissemos acima, toma o lugar do outro, transforma-se em seu oposto sem perder contudo, sua especificidade. A burguesia não poderia existir sem o proletariado e é o proletariado que a fará desaparecer. Por sua vez, quando a classe proletária assume o poder está preparando sua própria extinção como classe, extinção esta que se concretizará na sociedade comunista.

A unidade e a identidade dos contrários existe de uma forma relativa, condicionada e temporária. A luta é sempre um dado irremovível, contínuo, que os acompanha do nascimento à extinção. Por isso, a mudança social seria, para o marxismo, uma constante necessária a toda realidade social, a mudança é o próprio ser social.

Todo fenômeno em movimento possui dois aspectos que se alternam de acordo com as leis de antagonismo calmo ou violente entre os contrários:

– um, de repouso relativo no qual suas mudanças são meramente quantitativas. Neste, verifica-se uma união, uma atração, uma continuidade, uma estabilidade, uma harmonia, um equilíbrio relativo entre os dois aspectos opostos.

– outro, de intenso movimento devido [a]o qual há um desmembramento da unidade provocando uma mudança qualitativa e modificações sensíveis. Os dois aspectos se polarizam radicalmente.

6°) O lugar do antagonismo em uma série de contradições

Essa última parte visa colocar o problema do antagonismo (o que podemos tomar como luta aberta ou revolução) como uma das maneiras de se resolver uma série de contradições (como já foi mostrado, na sociedade o encadeamento e a correlação entre os contrários é tão grande que a resolução de todos eles só será possível pela resolução do aspecto principal).

“Essa tese é importante porque ela nos faz compreender que na sociedade de classes, as revoluções e as guerras revolucionárias são inevitáveis e sem elas não se pode ter de um salto o desenvolvimento da sociedade, nem a superação da classe reacionária dominante a fim de que o povo possa tomar o poder”. Tem-se contudo de considerar aqui que o antagonismo é apenas uma forma que pode ser ocasionada pela luta dos contrários e não uma etapa universal.

Ele pode ser aberto ou não dependendo das circunstâncias e conveniências. Na sociedade capitalista o antagonismo entre o rural e o urbano é aberto; na socialista trata-se apenas de uma contradição não antagônica e na comunista desaparecerá. Não haverá contradições de espécie alguma na sociedade comunista? É bem provável que sim, mas lugar para o antagonismo não, não haverá.

A conclusão que chegamos ao finalizar essa exposição é que, para termos uma visão correta da sociedade temos de proceder pelo estudo dialético das suas contradições. Dispomos assim de um conceito de mudança social que elimina a oposição entre estática e dinâmica e nos lança na sociedade em ato. Única forma de compreender de maneira correta o fenômeno social.

[NOTÍCIAS] Resumo jornalístico do dia 25/02/2025.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

Breve nota do editor: Sobre as últimas pesquisas de popularidade do governo e pesquisas sobre as eleições de 2026.

Não deveria espantar ninguém que na pesquisa CNT/MDA divulgada no dia de hoje, Lula e o governo tenham caído tanto em aprovação a ponto de chegar no mesmo patamar de impopularidade de Temer. Afinal, o projeto econômico neoliberal do governo é o mesmo: O “Plano ponte para o futuro”.

O destaque para as pesquisas de hoje, contudo, ficam pela confirmação de uma tendência que outras pesquisas já demonstravam, o fortalecimento do nome de Ciro Gomes frente a crise e esvaziamento do governo e do próprio petismo.


Giro diário de notícias da política brasileira:

Em meio a demissão de ministra, governo anuncia vacina 100% nacional contra dengue:

O presidente Lula e a ministra da Saúde, Nísia Trindade (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

Em um contexto de pequena crise envolvendo a troca da titular da pasta da saúde, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a ministra da Saúde, Nísia Trindade — que foi aplaudida com raro entusiasmo em sua última fala como ministra da saúde — anunciaram nesta terça-feira, em Brasília, a produção em larga escala da primeira vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue. A previsão é que, a partir de 2026, sejam ofertadas 60 milhões de doses anuais, com possibilidade de ampliação do quantitativo conforme demanda e capacidade produtiva.

Segundo o governo federal, a partir de uma parceria entre o Instituto Butantan e a empresa WuXi Biologics, a produção em larga escala da vacina 100% nacional e de dose única contra a dengue se dará por meio do Programa de Desenvolvimento e Inovação Local do Ministério da Saúde, já aprovado e em fase final de desenvolvimento tecnológico. Sob a coordenação do ministério, por meio do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, o projeto contou, ainda, com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no financiamento da pesquisa clínica.

O investimento, segundo Nisia, é de R$ 1,26 bilhão. Também estão previstos R$ 68 milhões em estudos clínicos para ampliar a faixa etária a ser imunizada e incluir idosos, além de avaliar a coadministração da dose contra a dengue com a vacina contra o Chikungunya, também desenvolvida pelo Instituto Butantan.

Em discurso no evento, o vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, destacou as iniciativas e investimentos do governo federal no setor industrial da saúde. As ações anunciadas estão alinhadas à estratégia da Nova Indústria Brasil (NIB), que é a política de governo para atração de investimentos para o desenvolvimento da indústria nacional.

Segundo Alckmin, o setor da saúde foi o que mais tirou recurso para inovação. “O presidente Lula fez a depreciação acelerada para renovar parque industrial, trocar máquinas e equipamentos. O presidente Lula fez TR [taxa referencial] para pesquisa, desenvolvimento e inovação, é juro real zero; R$ 80 bilhões do BNDES, Finep, Embrapii e ainda recursos, às vezes, não reembolsáveis, dependendo do tipo de pesquisa”, destacou o vice-presidente.

Observação: Alguns minutos após o lançamento desse boletim, o governo optou por demitir a ministra Nísia Trindade, consumando sua substituição por Alexandre Padilha.

Governo federal inicia obras do Reator Multipropósito Brasileiro, voltado para tecnologia nuclear.

© Foto / Divulgação / Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) iniciou nesta segunda-feira (24) as obras de infraestrutura do Reator Multipropósito Brasileiro (RMB), na cidade de Iperó, interior de São Paulo. O espaço terá centros de pesquisa para aplicações da tecnologia nuclear e visa impulsionar o desenvolvimento do setor nuclear e garantir a autossuficiência do Brasil na produção de radioisótopos, usados na fabricação de fármacos para tratamento do câncer.

De acordo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o RMB promete ser o maior centro de tecnologia nuclear do Brasil, com pesquisas de desenvolvimento de combustíveis nucleares e materiais utilizados em reatores, viabilizando a qualificação de combustíveis para propulsão nuclear, reatores das centrais nucleares brasileiras e novas tecnologias, como os pequenos reatores modulares (SMR).

As aplicações do futuro reator de pesquisa nuclear abrangem diversas áreas, como da saúde, indústria, agricultura e do meio ambiente.

BRICS deve promover nova ordem mundial, defende chanceler brasileiro.

Ministro Mauro Vieira preside a 1ª reunião do BRICS em 2025 sob a presidência brasileira (Foto: Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, abriu nesta terça-feira (25) a primeira reunião de 2025 das lideranças diplomáticas do BRICS, em Brasília, destacando que, em um mundo convulsionado por crises e tensões geopolíticas, o bloco de potências emergentes deve promover nova ordem mundial.

“Neste cenário em evolução, o BRICS tem um papel crucial a desempenhar na promoção de uma ordem mundial mais justa, inclusiva e sustentável. Um mundo multipolar não é apenas uma realidade emergente. É um objetivo compartilhado”, defendeu Vieira, durante a reunião no Palácio do Itamaraty. .

O chanceler brasileiro destacou também que a ordem internacional estabelecida após a Segunda Guerra Mundial fracassou, observando que, em termos de segurança, há “um aumento alarmante das crises humanitárias, conflitos armados”.

Na esfera econômica, ele alertou contra o processo de “desglobalização”, afirmando que “políticas protecionistas, fragmentação comercial, barreiras não econômicas e a reconfiguração das cadeias de suprimentos ameaçam aprofundar as desigualdades globais”.

Ele citou como uma das prioridades, na presidência brasileira do bloco, é o fortalecimento do comércio entre seus membros para “aumentar os fluxos comerciais, explorando medidas de facilitação do comércio e estimulando instrumentos de pagamento em moedas locais”.

Mauro Vieira destacou que o foro incorpora as aspirações do Sul Global e defendeu as pautas históricas da organização:

-promoção de mecanismos financeiros alternativos;

-reforma das instituições multilaterais de governança global e

-expansão do uso de moedas locais.

A primeira reunião dos sherpas do BRICS, diplomatas que lideram as delegações de cada país nas negociações, segue até esta quarta-feira (26).

Mauro Vieira avaliou que os princípios do multilateralismo – que é a cooperação de vários países para atingir um objetivo comum – estão sendo testados pela nova conjuntura internacional e que instituições de longa data, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), lutam para se adaptar às mudanças recentes na política e economia global.

“As necessidades humanitárias estão crescendo, mas a resposta internacional continua fragmentada e, às vezes, insuficiente. Se quisermos enfrentar esses desafios, precisamos defender uma reforma abrangente da arquitetura de segurança global”, afirmou Mauro Vieira.

O chanceler lembrou que hoje o BRICS representa quase metade da população global, tem 39% do Produto Interno Bruto (soma dos bens e serviços produzidos, PIB) do planeta e é responsável por 50% da produção de energia no mundo.

“Este grupo do Sul Global e nosso papel na formação no futuro nunca foram tão significativos. A recente expansão do BRICS de cinco para 11 membros foi um grande desenvolvimento”, completou.

Inteligência artificial

A agenda do BRICS este ano, sob a presidência brasileira, tem promovido a necessidade de se construir uma governança global da inteligência artificial (IA), que evite que a ferramenta seja usada para ampliar as desigualdades no mundo.

“[A IA] não pode ser ditada por um punhado de atores enquanto o resto do mundo é forçado a se adaptar a regras que eles não tiveram papel na formação. Devemos defender uma abordagem multilateral, que garanta que o desenvolvimento da inteligência artificial seja ético, transparente e alinhado com o interesse coletivo da humanidade”, defendeu Mauro Vieira.

Presidência brasileira

O Brasil assumiu a presidência do BRICS neste ano em meio à expansão do bloco, que passou a ter a Indonésia como membro permanente, além de outros nove membros parceiros.

O governo brasileiro elencou seis prioridades para as discussões do grupo:

1-Desenvolvimento Institucional do BRICS.

2-Cooperação Global em Saúde

3-Comércio, Investimento e Finanças

4-Combate às Mudanças Climáticas

5-Governança de Inteligência Artificial

6-Reforma do Sistema Multilateral de Paz e Segurança

Deputada Erika Hilton protocola na Câmara a PEC pelo fim da escala 6 x 1.



A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) apresentou oficialmente nesta terça-feira a proposta de emenda à Constituição que visa reduzir a jornada máxima de trabalho para 36 horas semanais, em 4 dias por semana. O texto foi protocolado na Câmara três meses após o início de um movimento de articulação para reunir assinaturas de apoio à proposta. Erika conquistou apoio de 209 deputados — 38 acima do mínimo necessário para apresentar uma PEC na Casa.

O objetivo central do texto é acabar com a possibilidade de escalas de 6 dias de trabalho e 1 de descanso — chamada de 6×1. A PEC, que agora poderá ser discutida na Câmara, pretende alterar um trecho da Constituição que trata dos direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Outra proposta com o mesmo objetivo já foi engavetada pela Câmara, antes de ser votada pelo plenário.

Em novembro passada, o Ministério do Trabalho afirmou, em nota à imprensa, que tem “acompanhado de perto o debate” e que a redução da jornada é “plenamente possível e saudável”, mas a questão deveria ser tratada em convenção e acordos coletivos entre empresas e empregados.

A proposta de Erika Hilton prevê estabelecer que a jornada de trabalho normal:

Não poderá ser superior a 8 horas diárias;

Não poderá ultrapassar 36 horas semanais;

Será de 4 dias por semana.

Segundo o texto, as mudanças entrariam em vigor depois de 360 dias da eventual promulgação da PEC.

Ministros do STF cobram reação formal do Itamaraty às ações de Musk e aliados de Trump contra Moraes.

Integrantes de diferentes alas do Supremo Tribunal Federal veem o assédio de Elon Musk e de parte da base de Donald Trump contra o ministro Alexandre de Moraes como um ataque institucional à Corte e passaram a cobrar uma reação diplomática formal que ressalte a relação histórica e a tradicional cooperação entre os dois países.

Esses ministros estão cientes de que o eventual envolvimento do Itamaraty embute, em si, uma armadilha, mas afirmam que não é possível apenas “assistir” ao que chamam de “diversas frentes de constrangimento institucional” sem reagir.

Um integrante da Primeira Turma, da qual Moraes faz parte, diz enxergar na empreitada para desgastar e constranger o ministro “parte de um plano maior de constrangimento do Supremo e do Judiciário”. “O pano de fundo é jogar para minar a força e a autoridade do Supremo. Neste momento, independentemente de concordar ou não com as posições jurídicas de Moraes, há algo que vem na frente: a instituição.”

Esse mesmo ministro cobra uma ação diplomática formal e, em conversa com outros integrantes da Corte, relembrou que os ataques de Musk em sua rede social não podem ser vistos como algo isolado. Há, por exemplo, um projeto em trâmite no Legislativo americano para impedir a entrada de Moraes nos Estados Unidos.

Musk, nomeado como colaborador por Trump, tem acesso a dados da Receita Federal americana e usou sua própria rede para disseminar informações de um perfil anônimo que citava, sem indicar qualquer ilicitude, supostas retiradas de investimentos de Moraes dos Estados Unidos.

Colegas dizem que o ministro, relator dos inquéritos que afligem Jair Bolsonaro e seus aliados, está “firme e sereno em sua posição”.

Ainda assim, a Corte enviou um recado de que vê a necessidade do envolvimento formal da diplomacia americana. Há uma série de processos movidos pelo governo dos Estados Unidos, inclusive pedidos de extradição, que tramitam no Judiciário brasileiro.

A política de reciprocidade, no entendimento dessa ala, precisa alcançar o respeito à autonomia do Judiciário nacional.

Essa ala do STF reconhece que um eventual envolvimento do Itamaraty seria usado para politizar a crise. “Mas o que vamos fazer? Temos que usar os instrumentos que a lei e as instituições nos dão. É assim que estão fazendo (a extrema-direita) na Europa. A resposta precisa ser diplomática, porque o ataque é diplomático”, encerra o ministro.

Fontes utilizadas:

1-https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2025/02/25/avaliacao-governo-lula-pesquisa-cnt-mda.htm
2-https://www.cartacapital.com.br/politica/lula-lidera-em-todos-os-cenarios-no-1o-turno-em-2026-aponta-pesquisa-cnt/
3-https://www.todapalavra.info/single-post/governo-anuncia-vacina-100-nacional-e-em-dose-%C3%BAnica-contra-dengue
4-https://noticiabrasil.net.br/20250224/governo-federal-inicia-obras-do-reator-multiproposito-brasileiro-voltado-para-tecnologia-nuclear-38650670.html
5-https://www.todapalavra.info/single-post/brics-deve-promover-nova-ordem-mundial-defende-chanceler-brasileiro
6-https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/25/deputada-protocola-na-camara-a-pec-pelo-fim-da-escala-6-x-1.ghtml
7-https://acoisapublicabrasileira.wordpress.com/wp-admin/post.php?post=2724&action=edit

[Che Guevara] Ser um jovem comunista.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

A equipe da revista ACPB traz para nosso público uma transcrição e tradução de um discurso do célebre líder revolucionário e militante modelo da causa socialista e comunista, Che Guevara. Tal fala foi proferida em 1962, em Cuba, para a União de Jovens Comunistas em 20 de outubro daquele ano. Boa leitura!



Ser um jovem comunista.

Queridos companheiros:

Uma das tarefas mais gratificantes de um revolucionário é a de ir observando, no transcurso dos anos da Revolução, como se vão formando, decantando e fortalecendo as instituições que nasceram no início da Revolução; como se convertem em verdadeiras instituições com força, vigor e autoridade entre as massas, aquelas organizações que começaram em pequena escala com muitas dificuldades, com muitas indecisões e foram se transformando, mediante o trabalho diário e o contato com as massas, em pujantes representações do movimento revolucionário de hoje.

A União de Jovens Comunistas tem quase os mesmos anos da nossa Revolução, através dos distintos nomes que já teve, através das distintas formas de organização. No princípio foi uma emanação do Exército Rebelde. Daí, talvez, tenha surgido também seu nome. Era uma organização ligada ao exército para iniciar a juventude cubana nas tarefas de massas da defesa nacional, que era o problema mais urgente e o que precisava de uma solução mais rápida.

No antigo Departamento de Instrução do Exército Rebelde nasceram a Associação de Jovens Rebeldes (AJR) e as Milícias Nacionais Revolucionárias (MNR). Depois adquiriram vida própria: esta última, a de uma pujante formação do povo armado, representante do povo armado e com categoria própria, fundida com nosso exército nas tarefas de defesa. A outra, como uma organização destinada à superação política da juventude cubana.

Depois, quando a Revolução foi se consolidando e pudemos nos colocar as tarefas novas que se veem no horizonte, o companheiro Fidel sugeriu a mudança do nome desta organização. Uma mudança de nome que é toda uma expressão de princípios. A União de Jovens Comunistas está diretamente orientada para o futuro. Está vertebrada com vistas ao futuro luminoso da sociedade socialista, depois de atravessar o difícil caminho em que estamos agora da construção de uma nova sociedade, no caminho da consolidação total da ditadura de classe, expressa através da sociedade socialista, para chegar finalmente à sociedade sem classes, à sociedade perfeita, à sociedade que vocês serão encarregados de construir, de orientar e de dirigir no futuro.

Para isso, a União de Jovens Comunistas levanta seus símbolos, que são os símbolos de todo o povo de Cuba: o estudo, o trabalho e o fuzil.

E suas medalhas mostram dois dos mais altos expoentes da juventude cubana, ambos mortos tragicamente, sem poderem chegar a ver o resultado final desta luta em que todos estamos empenhados: Julio Antonio Mella e Camilo Cienfuegos.

Neste segundo aniversário, nesta hora de construção febril, de preparativos constantes para a defesa do país, de preparação técnica e tecnológica acelerada ao máximo, deve-se colocar sempre, e antes de tudo, o problema do que é e do que deve ser a União de Jovens Comunistas.

A União de Jovens Comunistas tem que se definir com uma só palavra: vanguarda. Vocês, companheiros, devem ser a vanguarda de todos os movimentos. Os primeiros a estarem dispostos para os sacrifícios que a Revolução demande, qualquer que seja a natureza desses sacrifícios. Os primeiros no trabalho. Os primeiros no estudo. Os primeiros na defesa do país.

E colocar-se esta tarefa não apenas como a expressão total da juventude de Cuba, não apenas como uma tarefa de grandes massas vertebradas em uma instituição, mas como as tarefas diárias de cada um dos integrantes da União de Jovens Comunistas. Para isso, é necessário colocar-se tarefas reais e concretas, tarefas de trabalho cotidiano que não podem admitir o menor desânimo.

A tarefa da organização deve estar constantemente unida a todo o trabalho que se desenvolva na União de Jovens Comunistas. A organização é a chave que permite fortalecer as iniciativas que surgem dos líderes da Revolução, as iniciativas colocadas em reiteradas oportunidades por nosso Primeiro-Ministro [Fidel Castro], e as iniciativas que surgem no seio da classe operária, que também devem se transformar em diretrizes precisas, em ideias precisas para ação subsequente.

Se não existe a organização, as ideias, depois do primeiro momento de impulso, vão perdendo eficácia, vão caindo na rotina, vão caindo no conformismo e acabam por ser simplesmente uma lembrança.

Faço esta advertência porque muitas vezes neste curto e, não obstante, tão rico período de nossa Revolução, muitas grandes iniciativas fracassaram, caíram no esquecimento pela falta do aparato organizativo necessário para poder sustentá-las e levá-las a bom termo.

Ao mesmo tempo, todos e cada um de vocês devem ter presente que ser jovem comunista, pertencer à União de Jovens Comunistas, não é uma graça que alguém lhes concede, nem é uma graça que vocês concedem ao Estado ou à Revolução. Pertencer à União de Jovens Comunistas deve ser a mais alta honra de um jovem da sociedade nova. Deve ser uma honra pela qual lutem a cada momento de sua existência. E, além disso, a honra de manter-se e manter no alto o nome individual dentro do grande nome da União de Jovens Comunistas. Deve ser um empenho constante também.

Desta forma avançaremos ainda mais rapidamente. Acostumando-nos a pensar como massa, a atuar com as iniciativas que nos oferece a grande iniciativa da massa operária e as iniciativas dos nossos dirigentes máximos; e, ao mesmo tempo, atuar sempre como indivíduos, permanentemente preocupados com nossos próprios atos, permanentemente preocupados que nossos atos não manchem nosso nome nem o nome da associação a que pertencemos.

Depois de dois anos podemos recapitular e observar quais foram os resultados desta tarefa. E há enormes conquistas na vida da União de Jovens Comunistas. Uma das mais importantes, das mais espetaculares, foi a da defesa.

Os jovens que primeiro – alguns deles – subiram os cinco picos do Turquino [montanha mais alta de Cuba, localizada na Sierra Maestra], os que se alistaram em uma série de organizações militares, todos os que empunharam o fuzil nos momentos de perigo estiveram prontos a defender a Revolução em cada um dos lugares onde se esperava a invasão ou a ação inimiga.

Aos jovens da Praia Girón lhes coube a altíssima honra de ali poder defender nossa Revolução, ali defender as instituições que criamos com sacrifício, as conquistas que todo o povo conseguiu em anos de luta; toda nossa Revolução foi defendida ali em 72 horas de luta.

A intenção do inimigo era criar uma cabeça de praia suficientemente forte, com um aeroporto dentro, que permitisse hostilizar todo nosso território, bombardeá-lo sem misericórdia, converter nossas fábricas em cinzas, reduzir a pó nossos meios de comunicação, arruinar nossa agricultura. Em uma palavra: semear o caos em nosso país. A ação decidida de nosso povo liquidou a intentona imperialista em apenas 72 horas.

Jovens que ainda eram crianças se cobriram de glória. Alguns estão aqui hoje como expoentes dessa juventude heroica, e de outros nos resta pelo menos seus nomes como recordação, como incentivo para novas batalhas, que terão que ser travadas, para novas atitudes heroicas frente ao ataque imperialista.

No momento em que a defesa do país era a tarefa mais importante, a juventude esteve presente. Hoje a defesa do país segue ocupando o primeiro lugar em nossos deveres. Mas não devemos esquecer que a palavra de ordem que guia os jovens comunistas está intimamente ligada entre si: não pode haver defesa do país somente no exercício das armas, prontas para a defesa, mas, além disso, devemos defender o país construindo-o com o nosso trabalho e preparando os novos quadros técnicos para acelerar seu desenvolvimento nos anos vindouros. Agora esta tarefa adquire uma enorme importância e está na mesma altura que a do exercício direto das armas.

Quando se colocaram problemas como estes a juventude disse presente mais uma vez. Os jovens brigadistas responderam ao chamado da Revolução, invadiram todos os cantos do país. E assim, em poucos meses e em uma batalha muito dura – na qual houve inclusive mártires da Revolução, mártires da educação – pudemos anunciar uma situação nova na América Latina: a de que Cuba era um território livre do analfabetismo na América.

O estudo, em todos os níveis, é também hoje uma tarefa da juventude. O estudo misturado com trabalho, como no caso dos jovens estudantes que estão colhendo café no [na província] Oriente, que utilizam suas férias para colher um grão tão importante em nosso país, para nosso comércio exterior, para nós, que consumimos uma grande quantidade de café todos os dias. Esta tarefa é similar à da alfabetização. É uma tarefa de sacrifício que se faz alegremente, reunindo-se os companheiros estudantes – mais uma vez – nas montanhas de nosso país para levar ali sua mensagem revolucionária.

São muito importantes essas tarefas porque nelas a União de Jovens Comunistas, os jovens comunistas não apenas dão. Recebem, e em alguns casos mais do que dão: adquirem experiências novas, uma nova experiência do contato humano, novas experiências de como vivem nossos camponeses, de como é o trabalho e a vida nos lugares mais distantes, de tudo o que é preciso fazer para elevar aquelas regiões ao mesmo nível dos lugares mais habitáveis do campo e das cidades. Adquirem experiência e maturidade revolucionárias.

Os companheiros que passam por aquelas tarefas de alfabetizar ou colher café, em contato direto com nosso povo, ajudando-o longe de seus lares, recebem – posso afirmá-lo – mais ainda do que dão, e o que dão é muito!

Esta é a forma de educação que melhor se ajusta a uma juventude que se prepara para o comunismo: a forma de educação na qual o trabalho perde a categoria de obsessão que tem no mundo capitalista e passa a ser um gratificante dever social, que se realiza com alegria, que se realiza ao som de cantos revolucionários, em meio à camaradagem mais fraternal, em meio a contatos humanos que dão vigor a uns e outros, e a todos elevam.

Além disso, a União de Jovens Comunistas avançou muito em sua organização. Daquele débil embrião que se formou como apêndice do Exército Rebelde, até esta organização de hoje, há uma grande diferença. Por todas as partes, em todos os centros de trabalho, em todos os organismos administrativos, em todos os lugares onde possam exercer sua ação, ali há jovens comunistas e ali estão trabalhando para a Revolução.

O avanço organizativo deve também ser considerado também como uma conquista importante da União de Jovens Comunistas.

Contudo, companheiros, neste difícil caminho houve muitos problemas, têm havido grandes dificuldades, têm havido erros grosseiros, e nem sempre temos podido superá-los. É evidente que a União de Jovens Comunistas, como organismo inferior, como irmão menor das Organizações Revolucionárias Integradas, tem que beber aí das experiências dos companheiros que mais têm trabalhado em todas as tarefas revolucionárias, e deve escutar sempre – com respeito – a voz dessa experiência.

Mas a juventude tem que criar. Uma juventude que não cria é uma anomalia, realmente. E à União de Jovens Comunistas tem faltado um pouco de espírito criador. Tem sido, através de sua direção, demasiado dócil, demasiado respeitosa e pouco decidida a colocar-se problemas próprios.

Hoje está se rompendo com isso. O companheiro Joel [Iglesias] nos falava das iniciativas dos trabalhos nas fazendas. São exemplos de como se começa a romper a dependência total – que se torna absurda – de um organismo superior, como se começa a pensar com a própria cabeça.

Mas é que nós, e nossa juventude como todos nós, estamos convalescentes de uma doença que, felizmente, não foi muito longa, mas que influiu muito no atraso do desenvolvimento do aprofundamento ideológico de nossa Revolução. Estamos todos convalescentes deste mal, chamado sectarismo.

A que conduziu o sectarismo? Conduziu à cópia mecânica, às análises formais, à separação entre a direção e as massas. Inclusive na nossa Direção Nacional, e o reflexo direto se produziu aqui, na União de Jovens Comunistas.

Se nós – também desorientados pelo fenômeno do sectarismo – não conseguíamos ouvir a voz do povo, que é voz mais sábia e mais orientadora, se não conseguíamos perceber as aspirações do povo para poder transformá-las em ideias concretas, em diretrizes precisas, mal poderíamos dar essas diretrizes à União de Jovens Comunistas. E como a dependência era absoluta, como a docilidade era muito grande, a União de Jovens Comunista navegava como pequeno barco sem rumo, dependendo do grande barco: nossas Organizações Revolucionárias, que estas também, navegavam sem rumo.

Aqui se realizavam pequenas iniciativas, que era a única coisa que a União de Jovens Comunistas era capaz de produzir, as quais, às vezes, se transformavam em slogans grosseiros, em evidentes manifestações sem profundidade ideológica.

O companheiro Fidel fez sérias críticas de extremismos e de expressões, algumas tão conhecidas por todos vocês, como: “a ORI é a luz…”, “somos socialistas, em frente, em frente…”. Todas aquelas coisas que Fidel criticava, e que vocês conhecem bem, eram o reflexo do mal que atacava nossa Revolução.

Nós saímos dessa época. Nós liquidamos totalmente essa época. Contudo, sempre os organismos vão um pouco mais atrasados. É como um mal que houvesse deixado uma pessoa inconsciente. Quando o mal cede, o cérebro se recupera, recupera a clareza mental, mas, no entanto, os membros não coordenam bem seus movimentos, os primeiros dias depois de levantar-se do leito o andar é inseguro e pouco a pouco vai-se adquirindo a nova segurança. Nós estamos nesse caminho.

Assim devemos definir e analisar objetivamente todos nossos organismos para continuarmos melhorando. Saber, para não cairmos, para não tropeçarmos e ir ao chão; conhecer nossas debilidades para aprender a resolvê-las, conhecer nossas fraquezas para liquidá-las e adquirir mais força.

Essa falta de iniciativa própria se deve ao desconhecimento, durante um bom tempo, da dialética que move os organismos de massa e ao esquecimento de que os organismos como a União de Jovens Comunistas não podem ser simplesmente de direção, não podem ser algo que constantemente mande diretrizes às bases e que não receba nada delas.

Pensava-se que a União de Jovens Comunistas e todas as organizações de Cuba eram organizações de uma só linha. Uma só linha que ia desde a cabeça até as bases, mas que não tinha um cabo de retorno que trouxesse a comunicação das bases. Um duplo e constante intercâmbio de experiências, de ideias, de diretrizes, que vêm a ser as mais importantes, as que fizeram centrar o trabalho de nossa juventude.

Ao mesmo tempo, podiam ser observados os pontos onde o trabalho esteve mais frouxo, os pontos em que fraquejara mais.

Nós vemos como os jovens, quase heróis de novela, que podem entregar sua vida cem vezes pela Revolução, se os chamamos para qualquer tarefa concreta e esporádica marcham em massa até elas. Porém às vezes faltam ao seu trabalho porque tinham uma reunião da União de Jovens Comunistas, ou porque se deitaram tarde na noite anterior, discutindo alguma iniciativa dos Jovens Comunistas, ou simplesmente não vão ao trabalho porque não, sem causa justificada.

Quando se observa uma brigada de trabalho voluntário, onde se supõe que estejam os jovens comunistas, em muitos casos eles não estão. Não há nenhum. O dirigente tinha que ir a uma reunião, o outro estava doente, um terceiro não havia sido bem informado. E o resultado é que a atitude fundamental, a atitude de vanguarda do povo, a atitude de exemplo vivo que comove e empurra todo mundo para frente – como fizeram os jovens da Praia de Girón –, essa atitude não se repete no trabalho. A seriedade que deve ter a juventude de hoje para enfrentar os grandes compromissos – e o compromisso maior é a construção da sociedade socialista – não se reflete no trabalho concreto.

Há grandes debilidades e é preciso trabalhar nelas. Trabalhar organizando, trabalhar marcando o lugar onde dói, o lugar onde há debilidades a corrigir, e trabalhar sobre cada um de vocês para deixar bem claro em suas consciências que não pode ser bom comunista aquele que somente pensa na Revolução quando chega o momento do sacrifício, do combate, da aventura heroica, do que sai do vulgar e do cotidiano e, no entanto, no trabalho é medíocre ou menos que medíocre.

Como pode ser isso, se vocês já recebem o nome de jovens comunistas, o nome que nós, como organização dirigente, partido dirigente, ainda não temos? Vocês que têm que construir um futuro no qual o trabalho será a dignidade máxima do homem, o trabalho será um dever social, um prazer que o homem se dá, onde o trabalho será criativo ao máximo e todo o mundo deverá estar interessado no seu trabalho e no dos demais, no avanço da sociedade, dia a dia.

Como pode ser que vocês que hoje já têm esse nome, desdenham do trabalho? Aí há uma falha. Uma falha de organização, de esclarecimento, de trabalho. Uma falha, além disso, humana. A todos nós – a todos, acredito – nos agrada muito mais aquilo que quebra a monotonia da vida, aquilo que de imediato, de vez em quando, faz alguém pensar no seu próprio valor, no valor que tem dentro da sociedade.

E imagino o orgulho daqueles companheiros que estavam em uma das “quatro bocas”, por exemplo, defendendo sua pátria dos aviões ianques, e de repente alguém tinha a sorte de ver que suas balas alcançavam um avião inimigo. Evidentemente é o momento mais feliz na vida de um homem. Isso nunca se esquece. Nunca o esquecerão os companheiros que viveram esta experiência.

Mas nós temos que defender nossa Revolução, a que estamos fazendo todos os dias. E para poder defendê-la, é necessário ir construindo-a, fortalecendo-a com esse trabalho que hoje não agrada à juventude, ou que, ao menos, considera como o último de seus deveres, porque ainda conserva a mentalidade antiga, a mentalidade proveniente do mundo capitalista, ou seja, que o trabalho é, sim, um dever, é uma necessidade, mas um dever e uma necessidade tristes.

Por que isso ocorre? Porque ainda não temos dado ao trabalho seu verdadeiro sentido. Não temos sido capazes de unir o trabalhador com o objeto de seu trabalho. E, ao mesmo tempo, de transmitir ao trabalhador a consciência da importância que tem o ato criador que realiza dia a dia.

O trabalhador e a máquina, o trabalhador e o objeto sobre o qual se exerce o trabalho são duas coisas diferentes e antagônicas. E aí é necessário trabalhar, para ir formando novas gerações que tenham o máximo interesse em trabalhar e saibam encontrar no trabalho uma fonte permanente e em constante mudança de novas emoções. Fazer do trabalho algo criador, alvo novo.

Este é talvez o ponto mais fraco da nossa União de Jovens Comunistas. Por isso hoje enfatizo este ponto, e em meio à alegria de festejar esta data de aniversário, volto a pôr a pequena gota de amargura para tocar o ponto sensível, para chamar a juventude a reagir.

Hoje estivemos em uma assembleia em que se discutia algo no Ministério. Muitos de vocês provavelmente já tenham discutido a emulação nos seus centros de trabalho e tenham lido um tremendo papel que está circulando. Mas qual é o problema da emulação, companheiros? O problema é que a emulação não pode ser regida por papéis que a regulamentem, a ordenem e lhe deem um molde. O regulamento e o molde são necessários para poder comparar, depois, o trabalho da gente entusiasmada que está emulando.

Quando dois companheiros começam a emular, cada um em uma máquina para construir mais, depois de um tempo começam a sentir a necessidade de algum regulamento para determinar qual dos dois produz mais em sua máquina: a qualidade do produto, a quantidade, as horas de trabalho, a forma em que fica a máquina depois, como a atenderam… Muitas coisas. Mas se em vez de se tratar de dois companheiros que efetivamente emulam e aos quais nós vamos dar um regulamento, aparece um regulamento para outros dois que estão pensando em que chegue a hora de ir para casa, para que serve o regulamento, que função cumpre?

Em muitas coisas estamos trabalhando com regulamento e fazendo o molde para algo que não existe. O molde tem que ter um conteúdo, o regulamento tem que ser, nestes casos, o que defina e limite uma situação já criada. O regulamento deveria ser o resultado da emulação levada a cabo anarquicamente, se quiserem, sim, mas entusiasmada, transbordante para todos os centros de trabalho de Cuba. Automaticamente surgiria a necessidade de regulamentar, de fazer uma emulação com regulamentos.

Assim temos tratado muitos problemas, assim temos sido formais no tratamento de muitas coisas. E quando nesta assembleia perguntei por que não havia estado, ou quantas vezes havia estado o secretário dos Jovens Comunistas, soube que havia estado algumas vezes, poucas, e que os Jovens Comunistas não haviam estado.

Mas no curso da assembleia, discutindo estes problemas e outros, os Jovens Comunistas, o núcleo, a Federação de Mulheres e os Comitês de Defesa e o Sindicato, naturalmente, se encheram de entusiasmo. Pelo menos se encheram de um remorso interno, de amargura, de um desejo de melhorar, um desejo de demonstrar que eram capazes de fazer aquilo que não se havia feito: movimentar as pessoas. Então, imediatamente, todos se comprometeram a fazer com que o Ministério completo emulasse em todos os níveis, a discutir o regulamento, depois de estabelecer as emulações, e voltar dentro de quinze dias para apresentar já todo um fato concreto, com todo o Ministério emulando entre si.

Ali já há mobilização. As pessoas já compreenderam e sentiram intimamente – porque cada companheiro desses é um grande companheiro – que havia algo frouxo em seu trabalho. Se encheram de dignidade ferida e foram resolver. Isso é o tem que ser feito. Perdoem-me se insisto mais uma vez, mas é que sem trabalho não há nada. Toda a riqueza do mundo, todos os valores que tem a humanidade, não são nada mais que trabalho acumulado. Sem isso não pode existir nada. Sem o trabalho extra que se dá para criar mais excedentes para novas fábricas, para novas instalações sociais o país não avança. E por mais fortes que sejam nossos exércitos estaremos sempre com um ritmo lento de conhecimento, e é preciso romper com isso, romper com todos os velhos erros, manifestá-los publicamente, analisá-los em cada lugar e, então, corrigi-los.

Quero colocar agora, companheiros, qual é a minha opinião, a visão de um dirigente nacional das ORI, sobre o que deve ser um jovem comunista, para ver se estamos todos de acordo.

Eu creio que a primeira coisa que deve caracterizar um jovem comunista é a honra que sente por ser jovem comunista. Esta honra que o leva a mostrar para todo o mundo sua condição de jovem comunista, que não o vira na clandestinidade, que não o reduz a fórmulas, mas que o expressa em cada momento, que lhe sai do espírito, que tem interesse em demonstrá-lo porque é seu símbolo de orgulho.

Junto com isso, um grande sentido de dever para com a sociedade que estamos construindo, com nossos semelhantes como seres humanos e com todos os homens do mundo.

Isso é algo que deve caracterizar o jovem comunista. Ao lado disso, uma grande sensibilidade frente a todos os problemas, grande sensibilidade frente à injustiça; espírito inconformado cada vez que surja algo que está mal, tenha sido dito por quem quer que seja. Questionar tudo o que não se entenda; discutir e pedir esclarecimentos do que não estiver claro; declarar guerra ao formalismo, a todos os tipos de formalismo. Estar sempre aberto para receber as novas experiências, para conformar a grande experiência da humanidade, que já leva muitos anos avançando pelo caminho do socialismo, nas condições concretas de nosso país, nas realidades que existem em Cuba: e pensar – todos e cada um – como ir mudando a realidade, como ir melhorando-a.

O jovem comunista deve propor-se a ser sempre o primeiro em tudo, lutar para ser o primeiro, e sentir-se incomodado quando em alguma coisa ocupa outro lugar. Lutar para melhorar, para ser o primeiro. Claro que nem todos podem ser o primeiro, mas sim estar entre os primeiros, no grupo de vanguarda. Ser um exemplo vivo, ser o espelho onde olhem os companheiros que não pertençam às juventudes comunistas, ser o exemplo onde possam se olhar os homens e as mulheres de idade mais avançada que tenham perdido certo entusiasmo juvenil, que tenham perdido a fé na vida e que diante do estímulo do exemplo sempre reagem bem. Essa é outra tarefa dos jovens comunistas.

Junto com isso, um grande espírito de sacrifício, um espírito de sacrifício não somente para as jornadas heroicas, mas para todo momento. Sacrificar-se para ajudar o companheiro nas pequenas tarefas, para que possa assim cumprir seu trabalho, para que possa cumprir com seu dever no colégio, no estudo, para que possa melhorar de qualquer forma. Estar sempre atento a toda a massa humana que o rodeia.

Quer dizer: se propõe a todo jovem comunista ser essencialmente humano, ser tão humano que se aproxime do melhor do humano, purificar o melhor do homem por meio do trabalho, do estudo, do exercício da solidariedade continuada com o povo e com todos os povos do mundo, desenvolver ao máximo a sensibilidade até se sentir angustiado quando se assassina um homem em qualquer canto do mundo e para sentir-se entusiasmado quando em algum canto do mundo se levanta uma nova bandeira de liberdade.

O jovem comunista não pode estar limitado pelas fronteiras de um território: o jovem comunista deve praticar o internacionalismo proletário e senti-lo como coisa própria. Lembrar-se, como devemos nos lembrar, aspirantes a comunistas aqui em Cuba, que somos um exemplo real e palpável para toda a nossa América Latina, e mais ainda que para nossa América, para outros países do mundo que lutam também em outros continentes por sua liberdade, contra o colonialismo, contra o neocolonialismo, contra o imperialismo, contra todas as formas de opressão dos sistemas injustos; lembrar-se sempre que somos uma tocha acesa, de que nós todos somos o mesmo espelho que cada um de nós é individualmente para o povo de Cuba, e somos esse espelho para que se olhem nele os povos da América Latina, os povos do mundo oprimido que lutam por sua liberdade. E devemos ser dignos desse exemplo. A todo momento e a toda hora devemos ser dignos desse exemplo.

Isso é o que nós pensamos que deve ser um jovem comunista. E se nos disserem que somos quase uns românticos, que somos uns idealistas inveterados, que estamos pensando em coisas impossíveis, e que não se pode conseguir que a massa de um povo seja quase um arquétipo humano, nós temos que responder, mil vezes que sim, que sim se pode, que estamos no certo, que todo o povo pode ir avançando, ir liquidando a mesquinhez humana, como fomos liquidando em Cuba nestes quatro anos de Revolução; ir se aperfeiçoando como nos aperfeiçoamos todos dia a dia, liquidando intransigentemente todos aqueles que ficaram para trás, que não são capazes de marchar no ritmo que marcha a Revolução cubana. Tem de ser assim, deve ser assim, e assim será, companheiros. Será assim porque vocês que são jovens comunistas, criadores da sociedade perfeita, seres humanos destinados a viver em um mundo novo do qual haverá desaparecido definitivamente tudo o que é caduco, todo o velho, tudo o que represente a sociedade cujas bases acabam de ser destruídas.

Para alcançar isso é necessário trabalhar todos os dias. Trabalhar no sentido interno de aperfeiçoamento, de aumento dos conhecimentos, de aumento da compreensão do mundo que nos rodeia. Inquirir e averiguar e conhecer bem o porquê das coisas e colocar-se sempre os grandes problemas da humanidade como problemas próprios.

Assim, em um dado momento, em um dia qualquer dos próximos anos – depois de passar muitos sacrifícios, sim, depois de havermos visto, talvez muitas vezes, à beira da destruição –, depois de havermos visto talvez como nossas fábricas são destruídas e de tê-las reconstruído novamente, depois de assistir ao assassinato, à matança de muitos dos nossos e de reconstruir o que tiver sido destruído, ao fim de tudo isso, num dia qualquer, quase sem nos darmos conta, teremos criado, junto como os outros povos do mundo, a sociedade comunista, nosso ideal.

Companheiros, falar para a juventude é uma enorme tarefa. A gente se sente nesse momento capaz de transmitir algumas coisas e sente a compreensão da juventude. Há muita coisa que queria dizer sobre todos os nossos esforços, nossos anseios; de como, porém, muitos deles se rompem diante da realidade diária e como é necessário voltar ao início. Dos momentos de fraqueza e de como o contato com o povo – com os ideais e a pureza do povo – nos infunde novo fervor revolucionário.

Haveria muitas coisas das quais falar. Mas também temos que cumprir com nossos devedores. E aproveito para explicar-lhes porque me despeço de vocês, com toda má intenção se vocês quiserem. Me despeço de vocês porque vou cumprir com meu dever de trabalhador voluntário numa fábrica têxtil; lá estamos trabalhando já há algum tempo. Estamos emulando com a Empresa Consolidada de Fios e Tecidos Planos, que trabalha em outra fábrica têxtil e estamos emulando com a Junta Central de Planificação, que trabalha em outra fábrica têxtil.

Quero dizer-lhes, honestamente, que o Ministério da Indústria está em último na emulação, que temos que fazer um grande esforço, maior, repetir constantemente, para avançar, para poder cumprir aquilo que nós mesmos dissemos de ser os melhores, de aspirar a ser os melhores, porque nos dói ser os últimos na emulação socialista.

Acontece, simplesmente, que aqui ocorreu o mesmo que ocorreu a muitos de vocês: a emulação é fria, um pouco inventada, e não temos sabido entrar em contato direto com a massa de trabalhadores da indústria. Amanhã teremos uma assembleia para discutir esses problemas e para tratar de resolvê-los todos, buscar os pontos de união, de estabelecer uma linguagem comum de uma identidade absoluta entre os trabalhadores dessa indústria e nós trabalhadores do Ministério. E depois de conseguir isso, estou seguro de que aumentaremos muito os rendimentos ali e que poderemos, pelo menos, lutar honradamente pelos primeiros lugares.

Em todo caso, na próxima assembleia, no ano que vem, lhes contaremos e resultado. Até lá.

[NOTÍCIAS] Resumo jornalístico do dia 24/02/2025.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

Giro diário de notícias da política brasileira:

Na noite dessa segunda-feira, em contexto de queda de popularidade, o presidente Lula fez um pronunciamento à nação. Em tal discurso, o presidente anunciou oficialmente para o povo brasileiro o início do funcionamento do programa pé-de-meia, bem como a gratuidade para todos os medicamentos do programa farmácia popular.

Medidas que, se não resolvem os problemas da economia e classe trabalhadora brasileira, ao menos são positivos e tratam de pautas as quais a população certamente é simpática. Se tal pronunciamento terá um efeito concreto para a reversão da queda de popularidade do presidente e do governo, ainda é uma incógnita. Provavelmente não. Foi possível, porém, notar uma alteração na edição do conteúdo, primando por uma tentativa de não tornar o pronunciamento longo, para conseguir aproveitar bem o tempo da atenção do público, espelhando a forma de funcionamento de algumas redes sociais.

Lula diz ser contra combustível fóssil, mas afirma que o Brasil ainda precisa de petróleo.


Foto: Reprodução/Canal Gov



O presidente Lula, ao participar de uma cerimônia de assinatura de contrato para a aquisição de quatro novos navios da Transpetro, do sistema Petrobras, no Rio Grande do Sul, declarou nesta segunda-feira ser contra o uso de combustíveis fósseis. O presidente, contudo, acrescentou que o Brasil ainda precisa do petróleo por algum tempo, o que, segundo o mesmo, justifica investimentos no setor.

No discurso desta segunda-feira, em um contexto de recentes críticas quanto a questão ambiental, Lula destacou a necessidade de uma transição energética, e citou como exemplos as fontes alternativas de energia como a solar e a eólica, mas não destacou a existência de nenhum plano ou projeto coordenado do governo para tal até o momento. Seguindo aquela que é mais ou menos a justa posição comum a todos os países do sul global quando debatem com os países desenvolvidos sobre a questão ambiental, Lula declarou que:

“Tudo bem, eu sou contra o combustível fóssil, quando a gente puder prescindir dele. Enquanto a gente não puder, a gente tem que ter, porque é o dinheiro da Petrobras que vai ajudar a gente a fazer a revolução da transição energética.”



Brics vai tentar levar à COP 30 posição única sobre financiamento climático, diz negociador-chefe do Brasil.

Foto: Hamad AL-KAABI / UAE PRESIDENTIAL COURT / AFP

Os países que compõem o Brics tentarão chegar a um consenso para levar à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, conhecida popularmente como COP 30, uma posição única sobre o financiamento de ações climáticas, informou o negociador-chefe do Brasil no Brics, embaixador Maurício Lyrio.

Nesta semana, os negociadores dos países que integram o Brics vão se reunir em Brasília para discutir os temas prioritários estabelecidos pelo Brasil e buscar pontos de convergência para a cúpula de chefes de Estado, que acontece no Rio de Janeiro em julho.

Segundo Lyrio, as estimativas dão conta de que são necessários US$ 1,3 trilhão para combater as mudanças do clima. A COP em Baku (Azerbaijão), no ano passado, chegou ao valor de US$ 300 bilhões, valor considerado pelo governo brasileiro “muito aquém” do necessário e que representou uma “decepção”.

“Há o interesse dos países do Brics de reforçar a coordenação, durante a presidência brasileira, para levar uma posição conjunta sobre a questão do financiamento do combate à mudança do clima. […] Então, isso tem uma prioridade alta da presidência brasileira” Afirmou o embaixador.

A COP 30 está marcada para novembro, em Belém, no Pará. Considerado o maior evento global sobre o clima, o encontro deverá reunir representantes de mais de 190 países, além de representantes de entidades ambientais e da sociedade civil.

Uma das prioridades do governo brasileiro é discutir modelos de financiamento de ações climáticas para garantir que países em desenvolvimento tenham os recursos necessários, repassados, por exemplo, pelos países mais ricos, historicamente os maiores poluidores ambientais.

Grupo de Trabalho de Agricultura do BRICS discute cooperação.

Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil

O Grupo de Trabalho de Agricultura do BRICS realizou sua primeira reunião para discutir desafios e estratégias para o setor agropecuário. O encontro, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil (Mapa), aconteceu nos dias 20 e 21 de fevereiro, em Brasília, com a participação de representantes do governo brasileiro e dos países-membros da associação, segundo nota oficial do órgão.

Durante a reunião, foi debatido um documento preparatório para a declaração conjunta dos ministros da Agricultura do BRICS, prevista para abril deste ano. Entre os temas abordados estavam mudanças climáticas, degradação do solo, comércio agrícola e segurança alimentar. O grupo também discutiu a implementação da certificação eletrônica, iniciativa que visa garantir maior rastreabilidade e segurança no comércio de produtos agropecuários.

As discussões do Grupo de Trabalho estão alinhadas com a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), que será realizada no Brasil em 2025. Entre os temas em pauta, destacam-se a degradação de pastagens e a implementação do Programa Nacional de Conversão de Pastagens Degradadas em Sistemas de Produção Agropecuários e Florestas Sustentáveis (PNCPD).

Em coletiva de imprensa, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Mapa, Luís Rua, ressaltou a importância da agenda internacional do Brasil em 2025.

“A gente entende que é um ano muito importante, porque nós vamos ter, além da Cúpula dos BRICS, a questão da COP30 […] Uma representatividade muito grande”, disse.

Sob o tema “Cooperando para um mundo inclusivo e sustentável”, a presidência brasileira do BRICS em 2025 busca fortalecer a cooperação agrícola e promover sistemas alimentares sustentáveis. O grupo representa 50% da população mundial, 25% do PIB global e 30% das terras agrícolas do Planeta, sendo responsável por grande parte das exportações globais de carnes, arroz, soja, trigo e milho.

Ex-presidente Dilma Rousseff é internada em hospital na China

A ex-presidente do Brasil, Dilma Rousseff, de 77 anos, está internada em um hospital de Xangai, na China, desde a última sexta-feira (21). Atual presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), conhecido como Banco dos BRICS, Dilma foi hospitalizada após apresentar sintomas como pressão alta, tontura e vômito. A internação foi confirmada pelo Shanghai East International Medical Center, onde a ex-presidente segue em recuperação.

De acordo com funcionários da unidade de saúde, Dilma está estável e evoluindo bem desde a admissão no hospital. “Ela apresenta uma melhora contínua”, informou uma fonte ao portal Quem. Apesar do quadro sob controle, a ex-presidente precisou cancelar sua participação na reunião de ministros da Fazenda e presidentes de bancos centrais dos países do BRICS, que acontece em Cape Town, na África do Sul. A informação sobre a internação foi inicialmente divulgada pela Folha de S. Paulo e rapidamente repercutiu nas redes sociais e na imprensa.

Dilma Rousseff vive na China há mais de um ano e meio, desde que assumiu a presidência do NDB, em março de 2023. O cargo, rotativo entre os países-membros do bloco, inicialmente teria um mandato válido até julho de 2025. No entanto, o governo brasileiro negociou uma prorrogação de cinco anos, garantindo a permanência da ex-presidente no comando da instituição até 2030. A partir de julho deste ano, Dilma passará a se reportar diretamente ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Segundo fontes próximas, a expectativa é que Dilma receba alta na terça-feira (25), já que exames preliminares não indicaram nenhuma condição grave. A internação, no entanto, gerou preocupação entre aliados políticos e membros do governo brasileiro, considerando a relevância da ex-presidente no cenário econômico internacional. O Banco dos BRICS, sob sua liderança, tem desempenhado um papel estratégico na ampliação de investimentos para países emergentes.

Lula defende ascensão da indústria naval com conteúdo local.

(Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta segunda-feira (24), o fortalecimento da indústria naval brasileira, com a utilização de conteúdo local na fabricação de embarcações. “O Brasil, 95% do nosso transporte de exportação vai de navio. O Brasil é o maior país da América do Sul. Por que a gente não tem uma indústria naval poderosa? Por que a gente tem que comprar navio da Coreia, de Singapura, da China?”, questionou.

“Um país que tem uma bela de uma indústria naval, ele se torna competitivo no comércio internacional, que tem 90% de coisas feita por transporte marítimo”, disse, defendendo a qualificação da mão de obra nacional e investimentos no setor.

Lula participou da cerimônia de assinatura de contrato da Transpetro, subsidiária da Petrobras, com o consórcio formado pelos estaleiros Rio Grande e Mac Laren, em Rio Grande (RS). O ato visa a aquisição de quatro navios da classe handy, com valor de US$ 69,5 milhões por embarcação, fruto de licitação lançada em julho de 2024, parte do Programa de Renovação e Ampliação de Frota da Petrobras.

Os navios serão utilizados para transporte de derivados de petróleo na costa brasileira. De acordo com a Petrobras, os novos equipamentos irão ampliar a capacidade de atendimento da Transpetro à Petrobras, reduzindo a necessidade de afretamento desse tipo de unidade pela petrolífera.

Dentro da mesma iniciativa, a Petrobras lançou, na semana passada, em evento com o presidente Lula, a licitação para aquisição de oito navios gaseiros. O Programa de Renovação e Ampliação da Frota da estatal faz parte do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para o desenvolvimento da indústria naval brasileira.

Fontes consultadas:

1-https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/24/lula-diz-ser-contra-combustivel-fossil-mas-que-o-brasil-ainda-precisa-dele.ghtml

2- https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/24/brics-vai-tentar-levar-a-cop-30-posicao-unica-sobre-financiamento-climatico-diz-negociador-chefe-do-brasil.ghtml

3- https://www.todapalavra.info/single-post/grupo-de-trabalho-de-agricultura-do-brics-discute-coopera%C3%A7%C3%A3o

4-https://www.terra.com.br/noticias/ex-presidente-dilma-rousseff-e-internada-em-hospital-na-china,2abf15f25a0c70933ecd8efd44dbe9b4mxqmixrs.html#google_vignette


5- https://www.todapalavra.info/single-post/lula-defende-ascens%C3%A3o-da-ind%C3%BAstria-naval-com-conte%C3%BAdo-local


[Salvador Allende] Últimas Palavras à Nação.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

Nossa equipe traz para o público a tradução da transcrição do ultimo discurso do líder socialista chileno e mártir da libertação dos povos da América Latina, Salvador Allende. Allende foi eleito pelo povo chileno como seu presidente da República e pela traição de forças militares e da classe dominante chilena, golpistas e antinacionais, tombou há mais de 40 anos defendendo o “socialismo democrático” e as convicções dos trabalhadores através dos muros do Palácio de La Moneda. Allende deixou, em seus erros e acertos, muitas lições para todo o povo latino-americano.

Segue tradução feita pela EBC de seu último discurso:


“Seguramente, esta será a última oportunidade em que poderei dirigir-me a vocês. A Força Aérea bombardeou as antenas da Rádio Magallanes. Minhas palavras não têm amargura, mas decepção. Que sejam elas um castigo moral para quem traiu seu juramento: soldados do Chile, comandantes-em-chefe titulares, o almirante Merino, que se autodesignou comandante da Armada, e o senhor Mendoza, general rastejante que ainda ontem manifestara sua fidelidade e lealdade ao Governo, e que também se autodenominou diretor geral dos carabineiros.

Diante destes fatos só me cabe dizer aos trabalhadores:

Não vou renunciar!

Colocado numa encruzilhada histórica, pagarei com minha vida a lealdade ao povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregamos à consciência digna de milhares e milhares de chilenos, não poderá ser ceifada definitivamente. [Eles] têm a força, poderão nos avassalar, mas não se detém os processos sociais nem com o crime nem com a força. A história é nossa e a fazem os povos.

Trabalhadores de minha Pátria: quero agradecer-lhes a lealdade que sempre tiveram, a confiança que depositaram em um homem que foi apenas intérprete de grandes anseios de justiça, que empenhou sua palavra em que respeitaria a Constituição e a lei, e assim o fez.

Neste momento definitivo, o último em que eu poderei dirigir-me a vocês, quero que aproveitem a lição: o capital estrangeiro, o imperialismo, unidos à reação criaram o clima para que as Forças Armadas rompessem sua tradição, que lhes ensinara o general Schneider e reafirmara o comandante Araya, vítimas do mesmo setor social que hoje estará esperando com as mãos livres, reconquistar o poder para seguir defendendo seus lucros e seus privilégios.

Dirijo-me a vocês, sobretudo à mulher simples de nossa terra, à camponesa que nos acreditou, à mãe que soube de nossa preocupação com as crianças.

Dirijo-me aos profissionais da Pátria, aos profissionais patriotas que continuaram trabalhando contra a sedição auspiciada pelas associações profissionais, associações classistas que também defenderam os lucros de uma sociedade capitalista.

Dirijo-me à juventude, àqueles que cantaram e deram sua alegria e seu espírito de luta.

Dirijo-me ao homem do Chile, ao operário, ao camponês, ao intelectual, àqueles que serão perseguidos, porque em nosso país o fascismo está há tempos presente; nos atentados terroristas, explodindo as pontes, cortando as vias férreas, destruindo os oleodutos e os gasodutos, frente ao silêncio daqueles que tinham a obrigação de agir. Estavam comprometidos. A historia os julgará.

Seguramente a Rádio Magallanes será calada e o metal tranqüilo de minha voz não chegará mais a vocês. Não importa. Vocês continuarão a ouvi-la. Sempre estarei junto a vocês. Pelo menos minha lembrança será a de um homem digno que foi leal à Pátria. O povo deve defender-se, mas não se sacrificar. O povo não deve se deixar arrasar nem tranqüilizar, mas tampouco pode humilhar-se.

Trabalhadores de minha Pátria, tenho fé no Chile e seu destino.

Superarão outros homens este momento cinzento e amargo em que a traição pretende impor-se.

Saibam que, antes do que se pensa, de novo se abrirão as grandes alamedas por onde passará o homem livre, para construir uma sociedade melhor.

Viva o Chile!

Viva o povo!

Viva os trabalhadores!

Estas são minhas últimas palavras e tenho a certeza de que meu sacrifício não será em vão. Tenho a certeza de que, pelo menos, será uma lição moral que castigará a perfídia, a covardia e a traição.”

[NOTÍCIAS] Resumo jornalístico do final de semana 22 e 23/02/2025.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

Giro diário de notícias final de semana da política brasileira e internacional:

Neste final de semana, iniciamos esse modelo que acreditamos ser ideal para nossa sessão de notícias. Com um giro diário de notícias de segunda a sexta feira, e um especial de domingo com as notícias do final de semana e um comentário sobre a cobertura da semana, escrito por nosso editor de jornalismo, Daniel Albuquerque.



Governo decide substituir Nísia Trindade por Alexandre Padilha no Ministério da Saúde, diz mídia hegemônica.

© Folhapress

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai demitir a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e substituí-la no cargo pelo deputado federal Alexandre Padilha, que atualmente comanda a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), órgão responsável pela articulação política com os deputados e senadores. Lula tomou a decisão por considerar Padilha mais articulado politicamente e com maior trânsito no Congresso, em um momento em que o presidente busca divulgar medidas positivas de seu governo.

Segundo noticiou o jornal O Globo, citando interlocutores do governo, a decisão foi tomada porque Lula considera Padilha mais articulado politicamente e com maior trânsito no Congresso. Padilha também foi ministro da Saúde durante a gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (2011-2016).

Segundo informou o jornal, em princípio, Lula não estava muito inclinado a fazer a troca, mas tomou a decisão neste sábado (22), por considerar que a pasta tem um grande potencial para ser uma boa vitrine de seu terceiro mandato, em um momento que o presidente busca divulgar as ações positivas de sua gestão.

A expectativa é que o anúncio oficial da troca no Ministério da Saúde seja divulgado nos próximos dias, antes do Carnaval.

Anatel diz que operadoras já estão bloqueando acesso ao Rumble após ordem do STF.

Agência diz que principais operadoras já cumpriram decisão de Alexandre de Moraes. Restrição à plataforma de vídeos deve seguir até que empresa apresente representantes legais no Brasil.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informou neste sábado (22) que o bloqueio de acesso à plataforma de vídeos Rumble já foi implementado na maior parte do país pelas mais de 21 mil operadoras acionadas.

A Anatel espera que as empresas concluam o processo até o fim deste domingo (23).

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou suspender o acesso ao Rumble no Brasil porque a empresa descumpriu ordens judiciais anteriores.

A exemplo do que ocorreu com o X em 2024, Moraes determinou que os provedores bloqueiem o Rumble até que a plataforma cumpra as ordens pendentes, pague multas e indique um representante legal no Brasil.

China exige que EUA parem de usar comércio como arma e de escalar guerra comercial.

© AP Photo / Andy Wong

O Ministério de Comércio da China disse em um comunicado que os EUA devem deixar de usar as questões econômicas e comerciais como armas, relata a agência de notícias Bloomberg. O comunicado do Ministério de Comércio chinês indica que os passos dos norte-americanos no sentido de revisar essa cooperação, por alegados motivos de segurança, minam a confiança das empresas chinesas que estão investindo nos EUA.

”A China vai monitorar de perto as ações dos EUA e vai tomar medidas necessárias para proteger seus próprios direitos e interesses legítimos”, ressalta a Bloomberg, citando a pasta.

Pequim adotou medidas de resposta, impondo taxas limitadas sobre os EUA. Observa-se que Washington usou, para impor tarifas sobre os chineses, alegações de que a China não conseguiu impedir o tráfico de fentanil. Então, os passos da administração Trump são prejudiciais a outros países e também aos próprios Estados Unidos, opina o Ministério de Comércio chinês.

Anteriormente, a Bloomberg informou que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, pediu às autoridades mexicanas que impusessem tarifas sobre produtos da China para evitar a introdução de tarifas dos EUA sobre produtos do México.

Breve comentário de nosso editor de jornalismo sobre as notícias da semana:

Nessa semana fomos testemunhas de importantes ocorridos para a política brasileira. Como por exemplo, a denuncia de Bolsonaro, militares e demais organizadores da “intentona de 23”. Também pudemos assistir ao desenrolar de mais um capítulo da tentativa do estado brasileiro se defender contra intrusão imperialista, que se utiliza das big techs, com a proibição do Rumble no Brasil a partir de decisão de Alexandre de Moraes. Também noticiamos e assistimos a novela do bloqueio e posterior solução, para o problema do plano Safra. Para além disso, como foi noticiado sobre uma aparente tentativa de realinhamento do Brasil com os BRICS, dando razão ao texto de autoria de Cíntia Xavier, que atrelava um realinhamento do Brasil aos BRICS, ao contexto da política externa do governo Trump nos EUA e crise no ocidente geopolítico.

Nesse importante, cabe destacar, nosso editorial sobre a queda de popularidade do governo, publicado também nessa semana, segue tendo enorme importância, na medida em que muitos desses fatos noticiados por nós, tem relação com tal decréscimo de apreço das massas para com os mandatários do executivo. O que dizer da queda da ministra Nísia Trindade? Será que vai mesmo ajudar no aumento da popularidade do governo? Ou seria apenas mais um sintoma de uma das causas da baixa em popularidade: fisiologismo político e austeridade econômica?


Fontes consultadas:

1-https://noticiabrasil.net.br/20250222/lula-decide-substituir-nisia-trindade-por-alexandre-padilha-no-ministerio-da-saude-diz-midia-38630866.html

2-https://g1.globo.com/politica/noticia/2025/02/22/anatel-espera-que-empresas-efetivam-bloqueio-do-rumble-ate-este-domingo.ghtml

3https://noticiabrasil.net.br/20250223/china-exige-que-eua-parem-de-usar-comercio-como-arma-e-de-escalar-guerra-comercial-38637750.html

[Carlos Nelson Coutinho] Democracia e anti-imperialismo são bases do autêntico nacionalismo.

Por: Carlos Nelson Coutinho.

A revista A Coisa Pública Brasileira, orgulhosamente disponibiliza para nosso público o presente texto do célebre, filósofo, intelectual marxista e cientista político, Carlos Nelson Coutinho. Tal texto, para efeitos de contextualização, foi escrito e publicado no ano de 1977, durante a ditadura militar.

O “nacionalismo” da ditadura não é apenas cobertura para uma política entreguista: é a afirmação de um chauvinismo de tipo fascista que defende a militarização e o expansionismo. A oposição democrática não pode falar de acordo diante deste falso nacionalismo. Mas não pode subestimar a questão nacional – corretamente entendida – como um momento decisivo na luta pela democracia.

A campanha do novo presidente norte-americano “em defesa dos direitos humanos”, cujos aspectos profundamente obscuros não cabe analisar aqui, teve uma imediata repercussão na vida política brasileira. Serviu de pretexto para mais uma manobra da ditadura em sua luta pela obtenção daquele mínimo de consenso indispensável para superar a crise em que está envolvida, sobretudo num momento em que se vem reduzindo a base social de apoio do regime.

Mas não seria justo dizer que o tipo de demagogia “patrioteira” e pseudonacionalista, insistentemente alardeada nas últimas semanas, seja uma novidade no arsenal da manipulação ideológica do regime. Com efeito, sobretudo a partir do AI-5, a ditadura militar-fascista tem apoiado boa parte de sua propaganda ideológica – plenamente identificada, nisso, com os vários fascismos de ontem e de hoje – na afirmação de que é uma legítima defensora dos interesses nacionais, de que sua ação visa a promover a “grandeza da Pátria”, transformando o Brasil numa “grande potência”. Atritos relativamente insignificantes com o governo norte-americano (a questão das duzentas milhas, a recente ameaça velada de diminuição da ajuda militar, etc.) são agigantados, mistificados, de modo a justificar a pretensão dos governos ditatoriais de cumprirem uma política “autônoma” e nacionalista.

Bastaria uma sumária análise da atitude da ditadura diante do capital estrangeiro, ao longo destes treze anos, para desmistificar completamente essa pretensão. E a suposta “autonomia” da política externa brasileira, se recordarmos atos que vão desde a intervenção em São Domingos até a aberta participação nos golpes que derrubaram os governos progressistas do Chile, da Bolívia, etc., ruiria como um castelo de cartas e revelaria sua verdadeira face: a de contribuir para a consolidação do domínio imperialista na América Latina. O caráter “entreguista” e pró-imperialista do regime implantado no País após o golpe de 1964 é uma verdade já suficientemente conhecida pelo povo brasileiro.

Mas, como toda verdade, também essa precisa ser concretizada caso pretenda explicar aquilo que Lenin chamou de “astúcia” da realidade. Por trás da demagogia nacionalista do fascismo brasileiro, ocultam-se alguns problemas reais, que nós comunistas não devemos subestimar. Em primeiro lugar, o tipo de desenvolvimento dependente não elimina a possibilidade de que o conjunto do capital monopolista instalado em nosso país (nacional, estatal, mas também multinacional) possa eventualmente, em certas circunstâncias, entrar em atrito com determinadas medidas adotadas pelos governos dos países imperialistas aos quais estamos objetivamente subordinados; uma expressão real dessa possibilidade foi a atitude assumida pelo governo brasileiro diante das restrições que prejudicavam não apenas o capital nacional, mas até mesmo, em alguns casos, empresas multinacionais instaladas no País.

Em segundo lugar, o debilitamento da hegemonia norte-americana sobre o bloco das nações ditas “ocidentais”, abrindo espaço para um aguçamento das contradições inter-imperialistas (com o fortalecimento sobretudo da Alemanha Federal e do Japão), possibilita às classes dominantes das nações dependentes uma relativa margem de manobra, a qual nem sempre é usada no sentido de beneficiar os interesses populares, mas frequentemente no de reforçar a reprodução do capital monopolista (privado e estatal) do país dependente. Os governos ditatoriais brasileiros não tem deixado de utilizar essa possibilidade, ainda que numa proporção menor que alguns governos liberais de outros países dependentes, como os da Venezuela e do México. O acordo atômico com a Alemanha Federal inclui-se numa problemática desse tipo; se é verdade que sua assinatura evidenciou um contraste com certos interesses do imperialismo norte-americano, não é menos verdade que expressou objetivamente uma confluência entre os interesses do imperialismo alemão-ocidental e aqueles do complexo militar-industrial brasileiro em fase de expansão e consolidamento.

O importante, portanto, é ressaltar que essas medidas de “autonomia” em face do governo norte-americano não põem em discussão a subordinação da economia brasileira ao sistema mundial do imperialismo. Elas não alteram a essência das relações de dependência, mas contribuem mesmo para diversificá-las e, nesse sentido, para aprofundá-las. Porém, ainda mais importante é notar que as medidas de “autonomia” – por exemplo, tanto a recusa do controle internacional sobre a questão dos direitos humanos quanto a assinatura do acordo atômico – são tomadas precisamente com o objetivo de consolidar o tipo de dominação fascista assumida pelo CME no Brasil de hoje, reforçando a militarização da vida nacional.

Em tais condições, seria imperdoável que segmentos da frente democrática de oposição – em nome de um “acordo nacional” colocado objetivamente em termos de capitulação – confundissem esse esse “nacionalismo” reacionário da ditadura com o autêntico nacionalismo antiimperialista e democrático, pelo qual vem se batendo há tanto tempo as forças mais consequentes do povo brasileiro, em particular os comunistas. As medidas nacionalistas são por nós concebidas como elemento indispensável da transformação democrática do nosso País; por isso, além de implicarem evidentemente em um combate decidido contra todas as formas de dependência, exigem a permanente presença das massas populares organizadas nas grandes decisões políticas nacionais. Por outro lado, enquanto se propõem lutar pela defesa da nação contra a espoliação imperialista, não possui nenhuma conotação xenófoba ou expansionista; requer, ao contrário, a concreta colaboração com todas as nações empenhadas num combate similar contra o imperialismo e em favor da distensão mundial. Trata-se, portanto, de um nacionalismo aberto à mais ampla solidariedade internacionalista.

De natureza inteiramente oposta é o “nacionalismo” pregado pela ditadura. Antes de mais nada, ele deixa na sombra – ou mistifica conscientemente – a questão crucial do antiimperialismo. Mas, além disso, não dissimula o seu caráter expansionista, concretizado na ideia fascista da formação de uma “potência brasileira”. Com todas as consequências militaristas que isso comporta (criação de um complexo industrial-militar em detrimento da melhoria da qualidade da vida do nosso povo, afirmação de um papel hegemônico do Brasil na América Latina, etc.). E tal “nacionalismo” não esconde ainda a sua natureza claramente elitista, antidemocrática; o conceito de “segurança nacional”, apresentado como condição para a transformação do País numa “grande potência”, desemboca na concepção de que a política – o debate democrático – divide a nação, gerando conflitos que a “enfraquecem”. Como os fascismos de Hitler ou de Mussolini, também o brasileiro utiliza a ideia de Nação enquanto meio para negar a luta de classes na teoria para justificar a repressão da classe operária na prática.

Os democratas brasileiros não podem vacilar diante da denúncia desse tipo de nacionalismo, que serve objetivamente a interesses antinacionais e antidemocráticos. Mas tampouco podem, em sua justa reação ao chauvinismo fascista, cair no extremo oposto, ou seja, numa subestimação niilista da importância da questão nacional nas lutas democráticas de hoje. Não podemos aceitar a falsa antinomia – colocada e utilizada pela própria ditadura – entre nacionalismo e democracia. Não se trata de contrapor medidas liberalizantes, a um suposto nacional-estatismo de fundo autoritário, mas sim de opor um autêntico nacionalismo democrático e popular às manobras demagógicas e “patrioteiras” de um fascismo objetivamente entreguista.

[NOTÍCIAS] Resumo jornalístico do dia 21/02/2025.

Por: Equipe da A Coisa Pública Brasileira.

Giro diário de notícias da política brasileira:


Governo vai editar MP com crédito extraordinário para garantir Plano Safra.

Diogo Zacarias/MF


Como já era de se esperar, frustrando alguns militantes cegos em ideologia que alegavam que o “governo” havia barrado o plano Safra para “combater o agro”, o ministro Fernando Haddad, informou nesta sexta-feira (21/2) que o governo vai elaborar uma medida provisória dando uma solução improvisada para a situação na forma de crédito extraordinário, ao menos antes que seja aprovado o orçamento no Congresso Nacional.

De acordo com o Ministério da Fazenda, muito em breve toda a situação estará normalizada. Não custa se perguntar, porém, nos lembrando da recente greve da educação, se o Ministério da Fazenda teria a mesma celeridade e boa vontade para resolver a questão caso os maiores envolvidos não fossem o latifúndio e a classe dominante.

2-Pé-de-Meia será depositado na conta de alunos a partir de terça-feira.

(Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Em meio a incertezas e queda da popularidade do governo, o Ministério da Educação (MEC) pagará, a partir de terça-feira (25), a parcela de R$ 1 mil de uma das mais importantes iniciativas da pasta, o programa Pé-de-Meia a estudantes que participam do programa e que concluíram um dos três anos do ensino médio regular em escola pública em 2024. Os pagamentos dessa parcela de incentivo à conclusão do curso seguem até quinta-feira (27), de acordo com a série dos estudantes. Adicionalmente, os alunos aprovados no terceiro ano em 2024, que participaram dos dois dias da última edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), receberão mais R$ 200.

Os depósitos serão feitos após o Tribunal de Contas da União (TCU) desbloquear, no dia 12, R$ 6 bilhões para o pagamento das parcelas do programa, apelidado de Poupança do Ensino Médio. O Pé-de-Meia é direcionado a estudantes matriculados no ensino médio em escolas públicas, inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do governo federal (CadÚnico). A poupança tem o objetivo de promover a permanência dos alunos e a conclusão dessa etapa de ensino.

Embora seja muito pouco perto do que a sociedade espera da educação brasileira, e, que pese certo descontentamento com algum teor liberal do projeto, é inegável que se trata de uma medida com méritos. Certamente, não irá impedir o desfinanciamento da educação brasileira, mas cumpre um papel relativamente nobre. O ministro da Educação, Camilo Santana, comentou, na rede social, a importância de tal política pública.

“No programa Pé- de- Meia você pode ganhar até R$ 9,2 mil como incentivo à permanência na escola. Esse é o grande programa do governo para garantir a permanência do nosso jovem na escola”, declarou.

3-Moraes nega pedido de Bolsonaro para entregar defesa em 83 dias.

(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (20), em Brasília, pedido feito pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro para apresentar defesa no prazo de 83 dias.

A solicitação foi feita após Moraes determinar a intimação dos advogados do ex-presidente para se manifestarem sobre a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) no inquérito da trama golpista. O prazo de 83 dias seria para compensar o mesmo período em que o processo ficou na procuradoria para a elaboração da denúncia.

Na decisão, Moraes disse que o pedido não tem amparo legal. “Os requerimentos alternativos formulados para a concessão de 83 dias de prazo ou prazo em dobro [30 dias] carecem de qualquer previsão legal, pois a legislação prevê o prazo de 15 dias, nos termos do art. 4º da Lei 8.038/90 e no art. 233 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”, justificou.

Mais cedo, a defesa de Bolsonaro alegou que a denúncia possui muitos documentos e o prazo de 15 dias – previsto em lei – não é suficiente para os advogados exercerem a defesa.



4-Presidente do México recebe advogado de Pedro Castillo, ex-presidente do Peru, golpeado e atualmente preso de forma ilegal .

A presidente Claudia Sheinbaum se encontrou com Guido Croxatto, advogado do ex-presidente do Peru.
 

No dia de ontem, a presidente Claudia Sheinbaum se encontrou com Guido Croxatto, advogado que lidera a defesa jurídica de Pedro Castillo , ex-presidente do Peru, atualmente encarcerado em péssimas condições em uma prisão de Lima. Por meio de sua conta X, a presidente anunciou a reunião e pediu que princípios como justiça, democracia e salvaguarda dos direitos humanos prevaleçam no caso de Pedro Castillo.

Recebi Guido Croxatto, que lidera a justa causa de defesa de Pedro Castillo no Peru. A justiça, a democracia e o respeito pelos direitos humanos devem prevalecer“. Afirmou a mandatária mexicana.

Castillo foi preso em dezembro de 2022 , antes que pudesse buscar refúgio na embaixada mexicana no Peru. Sua prisão ocorreu depois que o então presidente peruano pediu a dissolução do Congresso peruano, mas ele foi afastado do cargo pela Câmara dos Representantes. Com sua demissão e posterior prisão, Dina Boluarte assumiu a presidência do Peru.

O ex-presidente peruano passou por diversas crises durante seu governo, o que o obrigou a fazer inúmeras mudanças em seu gabinete. Isso foi descrito pelo Congresso como uma incapacidade de governar. Ele agora é acusado de tentar um “autogolpe” e está preso há 36 meses como medida preventiva enquanto seu julgamento acontece.

5-Moraes manda suspender Rumble no Brasil.

Ministro Alexandre de Moraes / Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (21) a suspensão da rede social Rumble no Brasil.

A decisão foi tomada após o ministro constatar que a empresa está sem representante no país. Conforme documentos que constam nos autos, os advogados da empresa renunciaram ao mandato e novos representantes não foram indicados.

A suspensão ocorreu após fim do prazo de 48 horas dado pelo ministro para o Rumble indicar um representante legal.

Liberdade de expressão

Na decisão, Moraes citou que o CEO do Rumble, Chris Pavlovski, publicou na rede social X que não vai cumprir as determinações legais do STF.

“Chris Pavlovski confunde liberdade de expressão com uma inexistente liberdade de agressão, confunde deliberadamente censura com proibição constitucional ao discurso de ódio e de incitação a atos antidemocráticos, ignorando os ensinamentos de uma dos maiores liberais em defesa da liberdade de expressão da história, John Stuart Mill”, disse Moraes.

6-Brics deve avançar no uso de moedas locais dentro do bloco.

O Brics – sob a presidência rotativa do Brasil, desde 1º de janeiro – irá avançar no uso de moedas locais para realizar operações financeiras relacionadas ao comércio e investimentos realizados pelos países-membros do grupo. O objetivo é reduzir os custos de operações comerciais-financeiras das nações emergentes.

A confirmação foi dada pelo secretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Mauricio Lyrio, nesta sexta-feira (21), em conversa com jornalistas, em Brasília. O secretário é o negociador-chefe do Brasil no Brics, indicado para coordenar os trabalhos com a função de “sherpas” (palavra de origem tibetana usada para denominar os guias de alpinistas).

“É algo que já se desenvolve no Brics desde 2015 e nós continuamos a avançar, até porque o uso de moedas locais já é praxe no comércio bilateral entre membros do Brics. Vários membros já usam moedas locais no seu comércio bilateral, o que continuará no período da presidência brasileira”, declarou.

De acordo com Lyrio, o sistema de pagamentos em moedas locais está entre as prioridades das potências regionais neste ano que serão debatidas na próxima terça (25) e quarta-feira (26), entre os principais líderes-negociadores representantes das 11 nações integrantes do bloco.

São elas: Brasil, Rússia, Índia e China, África do Sul. Em janeiro de 2024, aderiram ao grupo como membros plenos: Egito, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Etiópia e Irã.

O secretário do Itamaraty justificou que, neste momento, o Brics não discutirá a criação de uma moeda comum para o bloco. “Não há acordos sobre o tema e também porque é muito complexo este processo. São economias grandes. Esse não é um tema fácil de administrar e, obviamente, há outras maneiras de redução de custos de operação. Tem a ver com a lógica interna do Brics”.

O secretário Mauricio Lyrio afirmou que o posicionamento de não discutir uma moeda comum não está relacionado a declarações de autoridades internacionais. Recentemente, o novo presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, ameaçou os países membros do bloco com tarifas de 100% sobre as importações deles, caso o grupo busque alternativa ao dólar nas negociações internacionais, o que aumenta a expectativa e atenção de agentes e observadores para ver qual será a reação dos BRICS.

O diplomata não descartou a possibilidade de os chefes de Estado do Brics discutirem a adoção de uma moeda comum no futuro. “Nada impede que os presidentes discutam a possibilidade, em um horizonte mais distante.”

O sherpas brasileiro ressaltou ainda que o Brics nasceu com a vocação de reforçar o multilateralismo para solucionar problemas e reformar a governança global. “Reformar para que ela [governança global] se torne mais democrática, mais inclusiva, mais representativa nesses mesmos países.”

Prioridades

As reuniões da próxima semana servirão para apresentar aos sherpas do Brics as demais prioridades do Brasil no comando do grupo, além do uso de moedas locais para realizar operações financeiras.

Os temas serão alinhados para até a Cúpula de chefes de Estado do Brics, prevista para ocorrer nos dias 6 e 7 de julho, no Rio de Janeiro.

As cinco prioridades que serão levadas ao encontro de dois dias são: cooperação em saúde, financiamento de ações de combate à mudança do clima; comércio, investimento e finanças do Brics; governança da inteligência artificial; e desenvolvimento institucional do Brics.

O encontro será aberto na terça-feira pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, no Palácio do Itamaraty, na capital federal. Existe ainda a possibilidade de uma sessão especial com discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos participantes, no segundo dia do evento.


Fontes consultadas:

1-https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202502/governo-vai-editar-mp-com-credito-extraordinario-de-r-4-bilhoes-para-plano-safra

2- https://www.todapalavra.info/single-post/p%C3%A9-de-meia-ser%C3%A1-depositado-na-conta-de-alunos-a-partir-de-ter%C3%A7a-feira
3- https://www.todapalavra.info/single-post/moraes-nega-pedido-de-bolsonaro-para-entregar-defesa-em-83-dias

4-https://oem.com.mx/elsoldemexico/mexico/sheinbaum-recibe-en-palacio-al-abogado-de-pedro-castillo-expresidente-de-peru-21772688

5-https://www.todapalavra.info/single-post/moraes-manda-suspender-rumble-no-brasil

6-https://www.todapalavra.info/single-post/brics-deve-avan%C3%A7ar-no-uso-de-moedas-locais-dentro-do-bloco